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sábado, 29 de outubro de 2011

Pintinho Vivo Para Sempre!




Tudo mudou por aqui.
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Os pintinhos estão aí para lembrar uma bela história:
“O pintinho sem cu foi peidar e virou uma bolinha de tênis”.  (O Word colocou a palavra peidar como errada, por acaso não existe o verbo peidar em português?)
Todos nós que conhecemos o Pintinho Sem Cu, sabemos que ele é destemido, porque isso é uma conclusão lógica – Se quem tem cu tem medo – o Pintinho que não tem cu, logo é um destemido! E por me lembrar de uma bela época da minha vida, eu trouxe de novo esse grande mito à vida!
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Kallisti



Quanta besteira parte de meu coração, aquele que se coroa com o ardor da raiva vermelha de Ares, o terrível deus, que sempre se dobra diante de mim. Por amor, sim, diferente não haveria de ser.

Desta que de boca rosada, libera da alma verde, o cantar de um nome, agora decidido. Ouve ao longe, de Afrodite os risos, porque dela os encantos são e os risos, sim os risos, de Philomeides, que me lembrou do Ares  profuso que existe em mim.

Harmonia, sorri, o doce sorriso do amor herdado de seus belos pais. Urânia ou Pandemos, não, isso não importa, tanto faz; foi ela a quem ao abrir a porta, sorriu e esteve comigo, em sua doçura, rir de uma alma aparentemente crua, que dos sonhos, aos irmãos, viu um novo ser nascer.

A estrela de oito pontas brilha ao longe, seguida de uma adorável gargalhada, resplandecente brilho verde de Vênus, aquela que ergueu-se do mar dos membros de Urânio. Despejando sua beleza, seu amor e seu triunfo as ondas do caos.

E então, eis que surge o desejo, Kallisti, assim devia chamar-se desde o começo. Doce Afrodite, por Éris tentada, já não fosse a mais amada, honrar-se-ia coroada pelas Horas, da beleza que só a ela pertencia. E eis que para a mais bela a coroa foi dada por Páris. E Kallisti também se tornou.

Todavia, é sempre a beleza a dominar a força. Kallisti... Kallisti... Kallisti...


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Causos" de Ano Novo

Eu não sei nem por onde eu começo, porque de qualquer jeito a parada já começou doida nesse 2011. Mas, como prometi que ia contar, ao menos para o único maluco que tem a paciência de ouvir meus causos, eu decidi começar o ano com esse post maluco narrando minhas ultimas aventuras magickas para quem quiser ouvir, além do pobre do malutro que ficou me ouvindo esse tempo todo e me incentivou a escrever esse post (e claro colar na comunidade da Ellis também).

Parte da história todo mundo já conhece. Sonhei com um grimório doido que eu encontrava e evocava uma entidade mais doida ainda, onde meu amigo (esse mesmo que me refiro acima) não queria que eu evocasse e eu evocando mesmo assim. No mesmo dia esse malutro aí, o mesmo que citei acima, me passa o link onde eu encontro os caras doidos lá do HN do mundo, que lançaram uma Teia muito doida e eu decido trabalhar com a teia, dando minha energia inicial traduzindo e fazendo propaganda pelo meu blog e blogs alheios por aí. Carreguei a teia depois, mas nem dei muita trela pro trabalho em si já que eu tenho um trabalho mais sinistro e que requer muito mais de mim.

Assim feito...

Estava tudo certo que eu iria para a praia para passar a virada de ano, quando minha família simplesmente decide fazer festa em casa, pra ajudar eu virei uma Workholic e decidi passar a minha virada de ano trabalhando, daquele jeito, mas trabalhando. Saí de casa levando comigo duas latinha de cerveja, uma Smirnoff Ice e um champanhe daquelas toscas que vem em cesta de natal que o povo distribui para funcionários idiotas tipo eu. Carregava na minha mochila uma velinha laranja, daquela bonitinhas e cheirosinhas.

Brindo meu SAG em primeiro lugar, depois Odin, a Smirnoff brindo Afrodite e espero se aproximar da meia-noite para fazer uma prece helênica e brindar Hermes com o champanhe do 1,99. Termino de recitar a prece quilométrica e já estão estourando os fogos e subo no terraço do prédio para ver a queima de fogos enquanto bebo meu champanhe no gargalo. Quando termino de subir as escadas, para a minha surpresa havia um povo fazendo festa no prédio e todos estavam lá em cima, fiquei me sentindo envergonhada, mas o povo se aproxima de mim e me cumprimenta desejando todas aquelas coisas boas de sempre.

Desço para a minha sala novamente e logo após um tempo o povo vem bater em minha porta me dando milhares de coisinhas para comer e beber. Fico lá achando a situação engraçada (como sempre as situações quando invoco Hermes são) quando do nada começa a chegar um monte de amigos meus em meu trabalho. Não terminou em pizza, terminou em intermináveis doses de vodcas enquanto brincamos de vira-vira, um carinha que acabei conhecendo (amigo do amigo, sabe comé?) que rolou uns pegas, um LA de menta de presente e muita risada. Para completar a seção presentes, prosperidade e abundância, vou para a casa e minha tia me dá uma blusinha “minha cara” de presente. Depois que meu pai que é completamente contra o meu hábito de fumar, me compra cigarros.

Não bastando isso, lá naquele grupo de “auto-ajuda” (onde eu trato minhas loucuras, entre elas esse jeito Workholic de ser), recebo a permissão de ser uma das coordenadoras das reuniões, que eu achei ter tudo a ver com essa coisa “Hermética” (mensageiro dos deuses, do bom discurso, do poder da palavra, etc) e também como o meu amigo malutro me disse, de liderança (que tem a ver com o Júpiter da nossa teia). Enfim, contando sobre isso e outros sonhos e coisitas a mais. Acontece algo que me deixou certa de que preciso de um bom remédio para esquizofrenia.

Tudo bem, está certo que quando eu fiz a prece para Hermes e o elegi como sendo o deus regente do meu ano de 2011 (que será no geral regido por Mercúrio a partir de Áries) e pedi entre outras coisas uma mãozinha com as projeções astrais, sonhos (lúcidos e não-lúcidos) e clarividência (embora esse ultimo eu acho que não é muito da alçada dele). Ao estar conversando com o doido do meu amigo eu tenho certeza de que ele havia escrito algo com o endereço do meu blog onde havia um comentário de um cara chamado “Celso”, que tinha dito que tinha gostado da idéia e que ia participar da teia também. (Celso se vc realmente existe e decidiu carregar a teia, se manifeste meu filho! Não me deixe passar um mico desse não!!)

Aí eu continuo falando com o doido no MSN e me lembro de ter escrito algo lá no fórum da Ellis do povo do HN do Mundo, e queria ver se tinham me respondido. Aí estou eu procurando no meu blog, na comunidade da Ellis, em outros blogs para ver onde estava o comentário do tal do Celso e o que eu sabia “que a teia estava crescendo” e não encontrei. Então, a noiada aqui (olha eu juro que tudo o que eu ingeri hoje foi café sem açúcar) e pergunto para o malutro do meu MSN onde estava o comentário do Celso que ele tinha escrito.

E gente, fiquei bege, porque ele não escreveu nada disso. Eu não pude acreditar que ele não tinha escrito, fiquei achando que estava me zoando, então rolei a janela do MSN, mas realmente não tinha nada com a letra dele escrito sobre aquilo, mas eu tenho certeza de que li sobre isso e que tinha percebido o quanto a Teia da Prosperidade estava crescendo. Claro que fiquei rindo, mas vale lembrar que essas “projeções” e “vidências” mescladas com a realidade consensual sempre me pegam quando trabalho com Ellis ou seus derivados. Acho que depois vou tentar uma projeção astral na Teia e se eu tiver bons resultados eu escrevo nesse blog. Mas, já que isso aconteceu (e eu tenho uma testemunha) fica a mensagem:

A Teia está crescendo, galera!!! E quanto maior, mais resultados como sorte, dinheiro e presentes teremos!!!

Façam suas apostas!

PS: Vão encher o rabo de outro de macumba... Sai pra lá com as quizumbas, deixem meu rabo em paz!!!
PS 2: Miguel resolveu aparecer no meu sonhar novamente...
PS3: Mano, a parada tá doida! Se o bagulho é louco e o processo é lento me deixem caminhar com o vento!!! hauhauahuhauh (Só pra ter três) : P


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Severina

Esse é um presente para uma menininha de 11 anos, que era cheia de sonhos, maluquices e rebeldia. Essa menininha foi o presente que os deuses me deram e por causa dela eu sou tudo o que sou hoje. Era uma menininha cheia de sonhos e de medos também, que não entendia nada do mundo e que queria entender. Essa mesma menininha, que baseada em sua criação cristã, uma vez respondeu para uma crente amiga de sua mãe que a coisa que ela mais queria era ser sábia como o Rei Salomão.

Ela acreditava em seus sonhos, acreditava que poderia levantar mundos. Ela pulava a janela do quarto e saía escondido quando os pais não a deixavam sair, ela ia para uma festa que talvez poderia lhe causar muitos problemas, ainda que fosse escondida ou mentisse a idade, ela sabia que tudo valia a pena se ela pudesse se divertir. Ela passava horas escrevendo histórias num caderno velho, que todos os seus primos mais novos ficavam pedindo para que ela lesse, porque adoravam as maluquices que ela escrevia.

Ela mentia para as amigas, todas já tinham beijado na boca, mas ela não, era uma BV (boca virgem) e dizia que já tinha sim ficado uma vez com um menino amigo de seu primo, mas morria de vergonha se tivesse que contar a verdade que seu primo a tinha a beijado na boca uma vez, quando ainda era bem mais nova e ela achou aquilo tão nojento que foi e não quis contar para ninguém, porque tinha vergonha daquilo.

Hoje quando eu olho para ela, quando às vezes nos encontramos, eu vejo que ainda que sem saber de nada, ela tinha dentro de si aquilo que nos tornaríamos. E ela tinha uma musica, uma musica que ela dizia ser sua. Bem, não entendia inglês, mas ela tinha em seu coração que essa musica era dela e que o Graig Adams havia escrito sobre ela e permitiu que a musica fosse cantada pelo Hussey Wayne porque ela achava o Wayne mais bonito. Tanto era a maluquice dela com essa musica, que alguns amigos até a chamavam de Severina. Ela pichava esse nome como dela nas paredes da escola, nas mesas, até no muro da casa do seu vizinho.

E quando eu penso em tudo o que ela era e quando eu penso em tudo o que ela gostava, ainda que intuitivamente, às vezes penso se não já sabíamos mesmo que íamos nos tornar o que somos hoje. Quando eu observo a letra dessa musica, eu não poderia jamais pensar naquela época que eu estava tendo um contato com Thelema, ou com suas leis, Aleister Crowley só existia para nós na musica doida que o Tio ouvia do Raul Seixas. Mas, ela sabia, ela sabia que Severina era ela. Ela sabia no profundo do seu ser que esse era o caminho dela, ainda que só soubesse disso intuitivamente. Não que nos tornamos thelemitas, mas temos em nosso arsenal de crenças, que o amor é a lei.

E quem me dera que eu tivesse hoje toda a coragem dela, toda a sua garra em fazer sua vontade sem se preocupar com as conseqüências, ou mesmo quando soubesse que ia dar merda, ou que seu pai a colocaria de castigo, não importava, o preço tinha de ser pago para que ela fosse livre e fizesse exatamente aquilo que ela queria. E eu a esqueci, eu a enterrei no meu âmago, mas ela não poderia ficar mais lá, eu não poderia mais, com toda a minha sanidade idiota, mantê-la lá dentro. E eu escrevo esse post para dizer o quanto eu a amo, o quanto eu tenho orgulho dela, o quanto eu rio e balanço a cabeça com as suas burradas, mas o quanto eu me sinto feliz por ela ter trilhado esse caminho até aqui e hoje podermos nos olhar e dizer que já sabíamos. Dizer que estávamos certas! E eu poderia a ver reclamando pela idiota que eu consegui me tornar.

Nós duas nos amamos hoje, nós duas rimos hoje, choramos e nos perdoamos. E eu não poderia chamá-la de outra coisa, ela estava certa, nós realmente somos a Severina do Mission (estou rindo com isso). Ela será minha eterna criança guerreira e ela estará sempre dançando. E eu a amo. Como não encontrei nenhuma tradução decente da musica nos sitezinhos de musicas traduzidas da vida e vi que ela merecia isso, eu mesma traduzi (não que isso fosse grande coisa, mas ao menos não coloquei um cunho cristão na tradução como fizeram por aí) e deixarei aqui de presente para ela que foi tudo pra mim. E não estranhem o fato de uma menina de 11 anos gostar de coisa tão estranha como pós-punk e gótico, isso se deu por causa da irmã mais velha da minha melhor amiga na época, que nos fazia ouvir todas essas coisas e que acabamos gostando até hoje. Além do mais, no começo dos anos 90, as rádios em Sampa (que ainda eram boas nessa época) tocavam tais musicas e houve uma força e ‘modinha’ do movimento gótico por causa de uma novela da Globo, que acho que passou em 92, que tinha o personagem Reginaldo (Eri Johnsson) que era gótico e esquisito e que tinha até a musica Crucify da Tori Amos na trilha sonora (isso só fui descobrir hoje no momento que fui pesquisar o nome do ator hahaha – Adoro Tori), a novela era De Corpo e Alma.


Mission Uk - Severina


She's got her head in the clouds
Ela tem a cabeça nas nuvens

she's got the stars in her eyes
Ela tem as estrelas em seus olhos

and she's dancing with a dream in her heart
E ela está dançando com um sonho em seu coração.

she's got the wind in her hair
Ela tem o vento em seu cabelo

moonchild shining bright
Criança lunar* brilhando
(Moonchild segundo o English Dictionary seria a pessoa nascida sob o signo de câncer, então deixei a tradução como criança lunar para ter algum sentido em português, que pode não ser fiel ao significado em si)

and she's dancing, with a dream in her heart
E ela está dançando com um sonho em seu coração.

Severina, Severina

She believes in angels
Ela acredita em anjos

she believes in the will of the gods
Ela acredita na vontade dos deuses

and she's dancing amongst the magic dust
E ela está dançando entre o pó mágico

she believes in the midnight trance
Ela acredita no transe da meia-noite

she believes in 'love is the law'
Ela acredita que “o amor é a lei”

And she's dancing amongst the magic dust
E ela está dançando entre o pó mágico

Severina, Severina

Star child
Criança estrela

baby born of heaven
Nascida do céu

Severina, Severina

She's got a heart full of promise
Ela tem um coração cheio de promessas

she's got her hand on her heart
Ela coloca a mão sobre seu coração

and she's dancing by the light of the moon
E ela está dançando sob a luz da lua

she's got a head full of secrets
Ela tem uma cabeça cheia de segredos

sworn to the faith of 'love under will'
Jurando a crença de “amor sob vontade”

and she's dancing by the light of the moon
E ela está dançando sob a luz da lua

Severina, Severina

she's a gift from the gods and she's dancing
Ela é uma dádiva dos deuses e está dançando

Severina, Severina

Severina



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Love



Ele não me disse absolutamente nada, sequer uma palavra...

Quando me coloquei numa posição de total desesperança,
Certa de que nada adiantaria...

Então, a sala encheu-se com o seu cheiro, o seu perfume...

Ele estava em todos os lugares, ele estava ao meu redor...

Ele estava em todos os lugares, estava acima e dentro de mim...

E nada no mundo poderia ser tão adorável...

Nada no mundo poderia ser tão confortante...

Nada no mundo se iguala ao meu amor...

Nada no mundo pode me amar tanto...

E eu senti tudo, ouvi tudo, soube de tudo

Ainda que ele não me dissesse nada.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Retorno do Velho

Um velho sentado no banco é só um velho sentado no banco, estava triste com seus cabelos brancos bagunçados com o vento doce da primavera, eu por um momento sabia quem era aquele velho, somente por um momento eu tive certeza de quem era aquele velho e ele num gesto gentil sorriu para mim. Eu estive com tanta saudade dele, sempre fora um companheiro sábio, mas agora ele estava ali naquele banco e nem é mais aquele que eu conheci um dia e eu senti vontade de chorar e então ele me disse “Não, você não tem que chorar, você tem que sorrir”. E surpresa, eu não soube o que fazer, talvez eu chorei e sorri ao mesmo tempo.

Então, eu me desliguei daquela realidade enfadonha e tão cheia de suas certezas incertas, joguei a mochila no chão e sentei ao lado dele. Ele nem me olhou direito, ligeiramente desapegado, somente acenou com a cabeça um ponto dentro da paisagem da cidade e eu vi uma arvore e um pássaro cantando pousado em sua copa e qualquer coisa como insanidade passando nos olhos daqueles que nos olhavam sem entender o que fazíamos ali numa manhã tão linda de primavera. E eu e o velho sorrimos, porque loucos eram eles que ainda não se demitiram da realidade.

Eu disse que gostava muito de ouvir musica clássica quando o sol estava nascendo e que sentia que naquele dia o sol não estava simplesmente nascendo, ele estava dando um espetáculo e talvez eu fizesse parte apenas de uma pequena platéia, mas não poderia negar o quanto foi adorável para mim e para o sol nos apresentarmos numa manhã quentinha ao som de musica clássica e o sol também sorriu para mim, eu sabia que todo o leste estava feliz e que todas as flores logo estariam também. E o velho balançou a cabeça em concordância e ficamos em silêncio por mais algum momento atemporal.

Quando você começa a questionar a realidade de seus próprios sonhos, então algo realmente sublime acontece, algo como lucidez se espalha pelos cantos que não são cantos e um pouco do inconcebível torna-se completamente possível. E eu questionei se eu tinha medo da sabedoria e o velho simplesmente me disse que sou uma criança ainda e que crianças sempre gostam de perguntar os porquês das coisas, mas quando eu estiver madura o suficiente eu não vou mais me preocupar tanto com os porquês e dançar musica clássica com o sol será apenas uma nova forma de se dar bom dia.

E então eu disse a ele que eu estava feliz, mas que também estava triste, que coisas entristecedoras aconteciam pelos cantos e que em momentos de profunda entrega as coisas da mente, às vezes cobria a cabeça com um saco de pão e às vezes eu gritava enlouquecida e que havia momentos em que eu chorava também. Então, ele simplesmente sorriu e disse que chorar ajudava a limpar os olhos. E que minhas loucuras serviam para alguma coisa, disse que a dor servia para nos mostrar de que estamos vivos e que a tristeza é uma senhora velha e de olhos profundos e que se por um momento eu pudesse olhar para ela, se eu pudesse realmente olhá-la nos olhos e dissesse “oi, eu sou a Baby”, ela certamente sorriria para mim.

Ele apontou a arvore novamente e foi me dizendo que ela não estava chateada porque o vento balança sua copa e que ela não está chorando porque o vento não pára de balançar a sua copa, ele disse que ela simplesmente dá um “olá” para o vento e o vento a sopra em retribuição. Disse que agora a tristeza é como o vento e ela está soprando a minha copa e que eu estou chorando por isso, quando eu deveria simplesmente dizer “olá” para ela e ela me retribuiria gentilmente.

Eu fiquei pensativa por um tempo, eu realmente estava querendo mudar tudo, eu realmente estava querendo transformar a coisa toda num bolo de chocolate e o velho cortando meu pensamento disse “você já fez isso antes, você já deu um olá para ela antes e ela não te matou por isso. O que há de novo?” Eu concordei. Afinal ela gosta de passear mesmo pelos meus jardins e plantar algumas flores. E então o sol tocou a minha pele, o vento girando e correndo cantou feliz que era primavera e me lembrei de que navios sempre atracam no porto me trazendo um presente. E o velho já não estava mais ali.
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