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domingo, 22 de janeiro de 2012

Lamentações



Às vezes eu me pergunto o que está errado com as pessoas. Mas o correto seria me questionar o que está errado comigo mesma. Num simples momento quando as luzes se apagam em nossa consciência, existe certo tipo de desejo oculto de encontrar a si mesmo. Parece que ninguém ainda percebeu que o ego nada mais é do que uma simples base de intermediação. É ali onde racionalmente procuramos dar certo sentido as coisas, que fazemos nossas escolhas não tão conscientes e que alegamos ter algum tipo de personalidade para o mundo.

Mas a grande verdade é que isso não importa para ninguém. Eu mesma já me apaixonei por “egos perfeitos”, para depois de um tempo, ao ver todo o conjunto da obra no dia-a-dia perceber que eu estava completamente equivocada no meu gostar. Às vezes creio ser necessária uma alta dose de decepção para conseguirmos enxergar aquilo que estava bem diante do nosso nariz. E eu vou dizer o que importa.

A verdade é que não importa que tipo de pessoa seu ego esteja querendo dizer que você é. Não importa qual o tipo de imagem que você está querendo vender para o mundo. E se alguém me pergunta se há algum tipo de infelicidade, eu diria que a maior de todas elas é se ver escravizado numa imagem que você idealiza ser a sua, porque uma parte de você, uma parte que não está nem aí para o ego que você está construindo a cada dia, está completamente frustrada. E sabe por quê? Porque ninguém quer ser um perdedor, mas invariavelmente todos somos e todos nós sabemos disso. E o que mais nos causa esse desconforto é que perder ou vencer não faz a menor diferença ao todo. Como diria a sabedoria do oriente: As coisas são como elas são.

Então eu vejo pessoas que tomaram para si diagnósticos, como transtorno bipolar de humor e acham que elas são isso, são doentes tendo de lutar contra uma anomalia. Vejo pessoas que sofrem com pânico e elas tomaram o pânico para si mesmas e estão aterrorizadas com as suas situações de pânico tentando lutar contra. O que eu vejo é em sua maioria pessoas insatisfeitas tentando encontrar um meio de alcançar o seu “eu idealizado” e que não podem por causa disso se libertar da escravidão desse eu.

Não há nenhum problema em se sentir certa afinidade com os mundos alternativos e filosofias atraentes que outras pessoas criam. Mas ao conversar com um amigo e ver que nós continuamos com a mesma luta de séculos atrás, eu me questiono realmente o que temos de novo. Vejo o mundo lutando pelo direito de ter informação e conhecimento, enquanto Alexandrias ainda pegam fogo. Eu vejo a igreja disfarçada de estado tentando controlar o rebanho que estão muito felizes por terem a novela das oito e algum reality show passando na televisão.

Então, sim, bate um tipo de decepção e insatisfação porque é como se todos estivessem atados e longe do rio da criatividade. O que nós temos de novo para apresentar ao mundo? Sempre as mesmas velhas lutas com outras roupagens, sempre a mesma velha briga por controle e autoridade. Sempre um mundo suspirando e clamando por uma nova tirania, uma nova guerra, mais um pouco de coisa hedionda para ver e assistir, enquanto comemos pipoca e tomamos refrigerante. Devo lembrar que antigamente o circo era algo essencial assim como pão e vinho?

Isso sem contar da grande insatisfação que de vez em quando bate. Às vezes é esdrúxulo se ver em maus lençóis porque inventou de compartilhar alguma experiência com alguns de seus amigos magistas e do nada alguns ficarem paranóicos contigo, com medo de que você está fazendo magia para interferir na vida deles também. E sinceramente às vezes o que vem de encontro em meio as suas lamentações é lembrar muitas pessoas de que para se praticar magia, muitas vezes é necessário uma forte base psicológica. Não porque isso seja algo de grande valia ao todo, mas porque reconhecer seus pontos de paranóia, neurose e egocentrismo às vezes é um ótimo começo para poder lidar com seus próprios demônios pessoais.  

Com isso tudo a mensagem é muito simples: Você não é importante para o mundo. O mundo está cagando e andando para o que você faz. Todas as pessoas, assim como você, estão tão preocupadas com seus próprios umbigos que não são capazes de ver cinco centímetros ao redor delas, inclusive você e seu genialismo. Paranóia, neurose e egocentrismo não é um caminho para magia, é simplesmente auto-ilusão. E se ainda não deu para entender a mensagem, mestre-guru, eu estou no meu caminho e muito mais interessada no meu próprio desenvolvimento e no compartilhamento do desenvolvimento de outras pessoas que estão realmente fazendo um trabalho sério. Ainda não está satisfeito? Então medite nessa frase: A sua realidade não passa de uma opinião. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Enchendo Línguiça



A vida simplesmente é uma loucura. Que outra coisa ela poderia ser? Até pouco tempo atrás eu não teria a menor idéia de que minha vida estaria da maneira como ela está agora e tampouco que eu tinha que lidar com muitas necessidades das quais tenho que lidar agora. Castañeda fala sobre isso em um de seus livros quando diz: “Há muita coisa que você faz agora que lhe teria parecido loucura há 10 anos. Essas coisas em si não mudaram, mas sua concepção de si mesmo mudou; o que antes era impossível é hoje inteiramente possível, e talvez que o seu sucesso total em se modificar seja apenas uma questão de tempo. Nesse assunto, o único caminho aberto a um guerreiro é agir persistentemente e sem reservas. Você já sabe o suficiente sobre o procedimento do guerreiro para agir de acordo, mas seus velhos hábitos e rotinas o atrapalham.”

Hoje eu tive que evocar o elemento espírito para dar um jeito no fuzuê que os outros quatro elementos estavam fazendo dentro de mim, o desequilíbrio interno pelo qual eu estava passando. Então, isso também me fez refletir um pouco a respeito da auto-análise. Tenho me acostumado a ouvir que o auto-conhecimento é muito importante, o que eu concordo de fato, porém o que me fez pensar muito sobre isso foi minha própria instabilidade durante os dois últimos dias quando eu realmente decidi que eu tinha que me retirar do social para efetuar uma perfeita evocação do espírito dentro de mim. Então, hoje em que eu tive uma prática muito mais forte e de verdadeira entrega com um ótimo resultado, fiquei realmente questionando se a necessidade de se falar tanto ou de se analisar tanto a si mesmo em termos racionais, é realmente a forma mais eficaz de se encontrar um equilíbrio interior.

Tive um sonho daqueles hoje de manhã, cheio de símbolos e eu nem quis interpretá-lo, não porque ele não seja importante, talvez sua mensagem estivesse clara demais para mim, mas esmiuçar tanto e deduzir, veja bem, DEDUZIR, que possa ser isso ou aquilo, ou uma mensagem complexa de algo, pode causar mais confusão do que trazer a lucidez necessária em certos casos. Isso me fez questionar se essa tendência a um auto-conhecimento totalmente voltado a uma descrição racional de um estado “x”, ou de um eu y, não é apenas uma obsessão egocêntrica.

Estou questionando na verdade até onde há um real interesse de desenvolver o interior e se auto-conhecer, para a linha tênue de um egocentrismo desvairado onde sentimos um profundo prazer em observar narcisisticamente o quanto somos especiais por sermos doidos. Até onde vai realmente um desejo sincero de cura para então se transformar numa neurose. Penso hoje, e amanhã eu posso sim mudar de opinião, que os porquês são extremamente sensuais e por sua sensualidade eles poderiam parar por aí. Às vezes pode ser delicioso ser simplesmente uma incógnita.

Estou há dez anos fazendo terapia e é impressionante como eu ainda tenho que fazer muito por mim mesmo para parar de me interessar em pessoas destrutivas, só de pensar na quantidade de coisas que eu tenho que fazer para mudar, fico desanimado” – li numa mensagem de um grupo de auto-ajuda que faço parte. É pra se pensar, não? Dez anos se esmiuçando todo na terapia e nada?

A verdade é que para se conviver em sociedade é imprescindível cuidarmos dessa parte “ego” de nossa natureza, que é segundo alguns espiritualistas apenas uma ilusão. Jung é um cara legal que foi mais além, que disse uma coisa bacana que era que sem uma real experiência mística não haveria cura. Então você pega um Víctor Sánchez dizendo que sem dar uma atenção ao Nagual, sem trabalhar com ele é impossível que tenhamos uma real transformação no nosso modo de ser. Acho que estamos começando a chegar lá!

A primeira vez que você se levanta dentro de um sonho lúcido e olha ao redor dizendo para si mesmo: “Eu estou sonhando”, você simplesmente tem a sensação de que não sabe de coisa alguma sobre si mesmo”.

Só pra cultivar a dúvida.

Somos um ser dual segundo alguns e uma legião segundo outros. E ainda podemos dizer que não somos coisa alguma.

Minha mente não sou eu, minha mente está em mim.

Reconhecer – Aceitar – Investigar – Não se Identificar.


Hohoho  Papai Noel chegou! :P

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vida-morte-vida



Bem, no último post do Realidade Demitida, eu estava falando a respeito das crises transformacionais, como raramente eu consigo ser impessoal, coisa que eu deixei muito clara no último post também, eu estava passando pela pior crise transformacional de todos os tempos, e sinceramente, eu ainda não consegui sair dela totalmente, mas já posso sentir no vento a aproximação da primavera!

Dentro dessa crise eu tive que deixar amores morrerem, um emprego se arrastar até não sobreviver mais, eu tive que reavaliar quem eu achava que eu era, para ouvir os anseios de minha própria alma e tentar descobrir quem eu achava que eu queria ser. Conquistei coisas só para descobrir que não me serviam, repassei momentos só para perceber que eram inúteis, me civilizei só para ter certeza de que sou uma criança selvagem.

Atravessando essa floresta na noite escura da alma, eu simplesmente pensei que eu não sobreviveria, também pudera! A Morte me sorriu o tempo todo, com aqueles dentes amarelos dela e foi arrancando pedaço por pedaço de todas aquelas coisas inúteis que eu estava arrastando pela vida. Porém, por mais inúteis que poderiam parecer, elas estavam enraizadas em minha carne e isso foi bastante doloroso, muito doloroso. Parte do caminho foi a bad trip mais terrível que eu já tive na vida, a outra parte foi estar frente a frente com a morte me dizendo simplesmente para enlouquecer. É assim que mulheres civilizadas (ou que tentam se civilizar) passam pela iniciação xamã.

Isso me fez tomar outro rumo, que não era necessariamente estranho, mas após tanto tempo mantendo uma persona, é complicado quando se tenta tirar a máscara pregada à cara. Eu tive que reconhecer que por mais que os homens são de uma espécie realmente exuberante e bela, eu sou mulher e meu caminho reside no feminino. Então, títulos como Mulher Selvagem, Dísir, Volvas, Ljots, Bruxas, Xamãs, Dakinis, Sagrado Feminino, Deusas e Grande Mãe tem sido focos de minha atenção nos últimos dias. Não me mandem para a floresta, ou para tirar leite de vacas, ou para cuidar de plantas muito delicadas que isso realmente não será uma boa empreitada. Mas, estou me preparando para ser mãe novamente e algumas sementes de Olouloqui e Ipomea Violacea logo estão indo para o útero do meu jardim novamente.

O Odinismo misturado ao Xamanismo Tolteca de Carlos Castañeda voltou a ser focos de trabalho na reconstrução de mim mesma. Também tenho feito uma mistura deliciosa de paradigmas psicológicos como o Junguiano e o Transpessoal para reescrever o que eu estou planejando pra mim daqui em diante. Tenho usado de mitos e contos de fadas para fazer uma reprogramação e também estou num intensivo trabalho de metamorfose, que tem sido de certa forma um pouco angustiante. Estou tendo de lidar com um ego resistente e chorão que às vezes me faz simplesmente querer me esconder na toca e não ver a cara de ninguém. Isso não significa ao todo que eu abandonei tudo, ou que abandonei meus amigos, mas essa é uma fase, que eu chamaria de certo modo, analítica. O que vai sair desse ovo nem eu sei ao certo, deduzo algumas coisas, induzo outras, mas é sempre um mistério e é assim que tem que ser.

Eu até gostaria de dizer, mas não sei se posso confirmar que ainda assim eu continuo a Chaos Baby de sempre, ainda estou naquela fase de transição, então não tenho nenhum projeto coletivo para o momento, até porque estou numa fase muito introspectiva. Num dos sonhos que eu tive no percurso, foi me dito que isso estava intimamente relacionado ao próximo ano de 2012, que é também, por conseguinte um ano lunar. Talvez daí também esteja vindo essa urgência e necessidade de religar ao Sagrado Feminino e o caminho lunar. Quem sabe podemos esperar um ano muito delicioso para as mulheres?

Ressurgindo do caos criativo, aos arrancos e barrancos, eis que eu retorno a dar vida para o Realidade Demitida!

domingo, 27 de março de 2011

Projeção Caostral - Chaos Astral...

Projeção Caostral
By Chaos Baby

Gosto muito do Stephen Mace pelo tom caótico que ele dá as velhas práticas. Ainda não terminei de ler o livro pelo qual estou sendo inspirada para este programa, para poder dizer com precisão o teor do livro por completo, mas os três primeiros capítulos já dão um bom material e idéias para quem se interessa por coisas como Sigilos, Letras Sagradas, Projeção Astral, Sagrado Anjo Guardião e de tratar a própria psique e seus eventos, complexos, arquétipos, comportamentos, personalidade, como uma habitação de milhares de espíritos (Nosso nome é legião). O que nem é tão novo, convenhamos. Pelas palavras do próprio Mace em seu Taking Power:

 A feitiçaria trabalha sobre o pressuposto que cada aspecto distinto da energia psíquica que pode ser definido é como um “espírito” separado, autoconsciente, uma entidade individual com quem o feiticeiro entra num relacionamento pessoal. O feiticeiro respeita o espírito como se fosse uma “pessoa” individual que atua para realizar uma tarefa psíquica específica. Por definição (ou convenção), qualquer função mental você pode especificar como – consciente, inconsciente ou uma combinação dos dois – pode ser considerada como um espírito separado, uma personalidade com um nome que você pode vincular a sua vontade. O feiticeiro sustenta o pensamento de que a personalidade humana é um conjunto de espíritos mais ou menos sob o controle de uma coluna central de percepção e vontade. Em essência é como uma relação feudal; você é o senhor e seus espíritos são os seus vassalos, e através deles você reivindica sua superioridade sobre o seu reino.

A idéia principal desse programa é trabalhar em cima desse paradigma, usando a técnica de sigilos e letras sagradas para se encontrar com qualquer espírito que você desejar numa projeção astral. Você não precisa necessariamente criar um mapa ou fazer um programa extenso, mas tem de saber por onde começar. O Mace alerta que é inevitável se decepcionar ao fazer projeção por divertimento ou iluminação, e afirma, assim como Crowley em quem ele se suste o tempo todo, que para evitar as seduções do astral e evitar que qualquer coisa ou espírito se mescle em sua aura, você tem de ter uma razão prática para cada viagem que fizer. Isso porque Mace também enfatiza que todos os espíritos e entidades que encontramos no astral devem ser testados, por exemplo, se sairmos em projeção usando algum símbolo cabalístico e nos encontramos como uma entidade que se diz pertencer àquela esfera, então é necessário que projetamos o símbolo sobre ela, pois se for uma impostora ela irá se desintegrar e desaparecer, mas se for realmente um espírito daquela esfera ele se tornará mais forte.

Nós podemos usar de nossa imaginação e criar qualquer propósito objetivo para esse fim. Mace se baseia muito em energias psíquicas pessoais, como demônios que queremos controlar, poderes positivos para ser definidos, um guia para a própria projeção astral, que ele enfatiza ser prioritário conhecer e conversar com o Sagrado Anjo Guardião para esse fim de guia, penetrar os chacras, redirecionar energias psíquicas de ressentimentos, reconhecer reflexos primitivos para ser desconectados, etc. Ele ainda diz que muito do que você pode fazer a esse respeito vai depender muito de seu controle e poder pessoal que você pode acumular, e das descobertas espontâneas que você terá enquanto você faz isso.

Espero ter conseguido explicar a idéia da coisa toda, então vamos à parte que realmente interessa. Mace diz que o mago deve sempre procurar se encontrar com seus demônios para controlá-los, ele defende essa tese porque diz que na medida em que nós crescemos em poder com a prática e treinamento em magick, nossos demônios podem nos proporcionar ataques fulminantes levando-nos a total autodestruição. Ele dá o conselho de começarmos com demônios que estejam bem visíveis para nós, para uma introdução nesse assunto sugiro a leitura de um artigo do Phill Hine sobre os demônios do hábito (só não estou muito certa de que seja do Hine), que são aqueles que nós já podemos de um jeito ou de outro reconhecer. Mas, particularmente creio que aqui, em nível de experimentar algo novo, nós podemos tentar coisas mais “light” e assim que vamos obtendo maior destreza na prática irmos para o lado mais “dark” da personalidade. A técnica de sigilação é a seguinte. Supomos que já escolhemos encontrar o espírito da sedução, então nós vamos criar primeiramente um sigilo mantrico da sentença que nesse caso pode ser:

Como me tornar mais sedutor

Criando o mantra dessa frase (ver técnica de sigilo se não sabe fazer um), nós criamos o grifo e vamos carregar ao mesmo. Nós não vamos destruir esse sigilo assim que sentirmos que ele está carregado e esse processo também pode levar alguns dias. Num dado momento nós vamos fazer desenho automático para retirarmos a Letra Sagrada desse desenho. O processo é mais ou menos simples. Nós vamos ficar olhando para o nosso sigilo, enquanto deixamos nossa mão solta rabiscando um papel (você pode treinar desenho automático antes, rabiscando milhares de folhas de papel até se sentir mais a vontade com a técnica), a idéia aqui é deixar realmente seu inconsciente fazer esses rabiscos, busque deixar sua mão boba, sem tentar controlar seus movimentos e procurando focar sua atenção totalmente no seu sigilo. No momento em que sentir que já conseguiu extrair de seu inconsciente a Letra, você vai buscar por ela em seus rabiscos. Ela será certamente aquela linha, ou forma que vai te chamar muito a atenção.
O Mace enfatiza que é de extrema importância assim que encontrarmos a Letra Sagrada, fazermos tantas divinações quanto acharmos necessário para que não cometemos o erro de evocar alguma coisa que não é exatamente aquilo que queremos, isso pode nos colocar em apuros. Portanto, se não tiver também nenhuma habilidade com divinação é melhor desistir antes mesmo de começar.
Suponhamos então que o nosso espírito aqui é Sedução e é justamente com ele que queremos nos encontrar no astral. Munidos de seu símbolo (a Letra Sagrada), nós vamos então realizar a projeção astral propositadamente. A intenção seria nessa projeção encontrarmos com Sedução, testá-lo impondo sobre ele o seu símbolo, a nossa Letra Sagrada, como já dito acima, que se ao impor o símbolo sobre ele e ele se desintegrar, então não estamos tratando com Sedução, mas com outro espírito impostor qualquer, mas ao encontrarmos com Sedução e ao impor seu símbolo sobre ele, ele ficará mais forte e então você pode defini-lo. Isso se dá com uma conversa, talvez. É necessário fazê-lo com que diga seu nome, pois como estamos carecas de saber, nome confere poder e tendo acesso a esse conhecimento, nós poderemos controlar Sedução dentro do nosso cotidiano, sempre que necessitarmos dele, usando de seu nome e símbolo. Mace alega que é interessante que, como aqui no nosso exemplo, Sedução, tenha um nome Barbárico, Mantrico, até que saibamos seu nome ao encontrá-lo numa projeção, para que desvincule qualquer associação que possamos fazer com a palavra Sedução. Por isso toda a técnica de produção desse símbolo e mantra é baseada na técnica de sigilo.
Bem, mas para que ocorra a projeção, o mago a fim de experimentar essa técnica deve já ter um tipo de desenvolvimento com a projeção, ou buscar se desenvolver a partir de seu desejo de encontrar no astral com qualquer espírito que ele desejar. Para o sucesso dessa prática é importante que o mago tenha um mínimo controle sobre sua vontade, ao contrário será o mesmo que comprar o seu passaporte para o hospício. Não quero com isso criar nenhum medo ou bloqueio para prática, mas é importante lembrar que o controle mental e disciplinar a força de vontade é essencial para que não se acabe fazendo besteiras ou se autodestruir por pura diversão ou qualquer outro bom motivo para fazer isso. Para isso, se caso o mago não tiver um treinamento prévio, ele pode procurar fazer o exercício de Metamorfose do Liber MMM, ou ainda praticar o Liber III do Crowley, a livre escolha.
Então sem mais blábláblá, ficamos conscientes de que um treinamento prévio da vontade e conhecimento na arte de divinação são requisitos básicos até aqui, acho que nem preciso dizer que para esse programa é essencial saber fazer e carregar sigilos. Vamos para a parte que nos toca agora.
Há milhares de técnicas para se obter projeção astral em milhares de livros, sites, comunidades e listas sobre o assunto. Em minha própria experiência, sempre foi um aglomerado de pequenos exercícios e práticas que me levaram a ter projeção astral, mas em especial meditar na respiração tem sido para mim uma das práticas essenciais para esse fim e observando milhares de técnicas que li em alguns livros, muitas visualizações podem ser diferentes, mas a técnica de se respirar é sempre a mesma. Porém, também vale dizer que eu tenho maior facilidade de me projetar durante uma meditação do que quando estou dormindo e sonhando. Mas, se esse não for o seu caso e ainda para obter um melhor desempenho dentro do programa, nós podemos usar técnicas para obter sonhos lúcidos. Estas poderiam ser qualquer uma que quiser, testes de realidade, programação dos sonhos, sinais oníricos, há uma infinidade de técnicas para isso solta na internet, basta ir ao Google.

Definimos assim:

1 - Parte caótica
Introspecção para definirmos qual o espírito que queremos encontrar e por que. Seguido de criação de sigilo e mantra, carregamento do mesmo, criação da Letra Sagrada, comprovação da mesma por meio de divinação. Após obter a Letra creio ser necessário familiarizar-se ao máximo com ela, a ponto de poder evocá-la dentro da projeção. Muitos de nós, eu inclusive, ficamos burrinhos quando estamos em projeção e pode acontecer de não conseguirmos evocar o símbolo, ou se lembrar dele, ou ter uma leve dificuldade de fazer coisas que faríamos com muita facilidade aqui. Lembrando que lá é outro território e as regras são outras, de modo que você deve se treinar ao máximo para se comportar de acordo. Aos que já possuem bastante familiaridade com a projeção talvez isso não seja importante, mas para aqueles que necessitam de um esforço maior, como eu, ao criar uma letra para estados mentais determinados, como no nosso exemplo de Sedução, é importante que se crie uma Letra oposta, para no caso de obsessões a usar como antídoto.
2 - Projeção Caostral
Talvez essa aqui devesse ser a primeira parte, em todo o caso, acho que é interessante trabalhar com as duas partes simultaneamente para que se caso, num golpe de sorte ou capacidade magicka mesmo, você já conseguir se projetar logo de primeira, já vai fazer o que estamos propondo aqui.
Minha combinação para os exercícios de projeção são simples, mas foram efetivos para mim e justamente por isso que vou escalá-los aqui no meu programa, nesse ponto você pode fazer qualquer técnica sob qualquer paradigma que esteja familiarizado. Algumas sugestões que eu posso dar sobre técnicas além das que eu postarei aqui, são as técnicas de Asana, Dharana, Pranayama e etc descritas no Livro Quatro de Crowley, ou uma combinação de exercícios do Liber MMM - Imobilidade - Respiração - Não-Pensamento e Concentração na Imagem podem ser bem efetivas também (e mais simples). Quem gosta e se familiariza com as idéias e técnicas dadas pelo Wagner Borges (nenhuma funcionou comigo pelo que creio ser uma questão de crenças e paradigmas distintos) entre outros autores pode usá-las também. Quer experimentar alguma coisa nova e diferente, vá em frente, o sucesso é a nossa prova. Para Sonhos Lúcidos eu sugiro os livros de Stephen Laberge e um livro baratinho, mas muito bom de Dream Yoga sob o nome de: Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono de Tenzin Wangyal Rinpoche. Também durante esse período é importante lermos a respeito de Projeção Astral, nem que seja um artigo pequeno, ou um livro qualquer que ainda não lemos, ou relatos sobre projeções realizadas por outra pessoa para mantermos o foco e mover dessa forma o intento.

Técnica do Corpo Sonhador (ou Corpo de Luz, se preferir)
É uma visualização em si de nosso corpo sonhador, que podemos fazer em qualquer momento do dia, ou antes de dormir, reserve alguns minutos para essa técnica de visualização.
Esvazie a mente focando-se em sua respiração até acalmá-la o suficiente para iniciar a visualização. Veja você mesmo parado diante de você, assim que conseguir se visualizar perfeitamente você define essa imagem como seu corpo astral. Então comece a projeção transferindo seu ponto de vista nele para que você veja com os olhos dele, ouça com os ouvidos dele, sinta seus pés como dele, sinta-se transferindo toda a sua consciência, percepções, sensações, whatever para esse você que está a sua frente, até que você e ele sejam um. Quando estiver nesse corpo olhe ao redor, observe os objetos do seu quarto ou do lugar onde estiver, lembrando que essa visão deve ser análoga a visão do astral, ao invés de sua natureza física. Quando terminar retorne para o seu corpo.

Técnica da La Gorda
Essa é uma técnica que eu retirei de um dos livros de Castañeda, não estou muito certa de qual deles agora, mas creio que a personagem La Gorda conta essa técnica para Castañeda no livro "O Poder do Silêncio", precisaria conferir, mas estou com pressa nesse momento. Dentro do paradigma de Castañeda, o poder da mulher reside em seu ventre e se não me falha a memória ele também se refere ao ponto três dedos abaixo do umbigo como sendo o ponto da vontade e intento. Porém, nos seus livros ele descreve que a prática da Arte do Sonhar para os homens é dirigindo a sua respiração para o esterno, "a boca do estômago" e para as mulheres por causa do útero e todo o poder que reside nele,o ponto três dedos abaixo do umbigo, no Hara, se facilitar. Porém, estava conversando com um amigo ontem e concordávamos a respeito de vários paradigmas que dizem que esse ponto é um ponto de poder de Kia, Chi, <insira qualquer outro nome que desejar aqui> e partindo do paradigma do Chi Kung todos nós armazenamos Chi nessa região, creio que a técnica de La Gorda não sirva apenas para as mulheres como mostra o paradigma de Castañeda, mas também para os homens. Como eu sou mulher não sei falar muito a respeito da eficácia para os homens, mas tive sucesso com essa prática e vou postar aqui um relato da primeira experiência de sucesso que eu tive com ela.
A prática em si é muito simples, é necessário que se sente ou deite confortavelmente, ficando totalmente imóvel. Então, permita que sua respiração fique lenta e profunda e a direcione para a região localizada três dedos abaixo do umbigo. Mas, como assim direcionar minha respiração para essa parte do meu corpo?
Você pode nas primeiras práticas colocar algum peso sobre essa região, pode ser uma pedra pesada, um saco com alguma coisa dentro, alguma coisa que faça sentir essa região de modo que sua consciência e concentração esteja totalmente focada nessa parte do seu corpo. Você vai inspirar visualizando que o ar está se acumulando nessa região, ao invés de ir para os seus pulmões, para facilitar você pode visualizar que o ar entra carregando uma iluminação branca ou da sua cor octarina, concentrado essa luz nesse ponto. Não precisa se preocupar com essas visualizações porque o mais necessário da prática é dirigir a sua respiração para esse ponto e usar dessas parafernálias e visualizações só até o momento que se familiarizar com o exercício. Particularmente eu usei uma caixinha de metal cheia de pedras pra ficar pesada durante dois dias, depois disso não precisei mais porque já sabia para onde eu tinha que dirigir minha consciência.
Porém, para esse exercício é necessário uma carga horária mínima de 30 minutos, eu particularmente fazia cerca de uma hora por dia.

Centralização e Banimentos
É imprescindível que façamos exercícios de centralização e banimentos. Isso evitará obsessões e nos manterá equilibrados.

Banimentos
Dois banimentos por dia é o mínimo, mas normalmente é interessante fazer banimentos antes e depois da Técnica de La Gorda e também fazer o banimento quando estiver em sua cama indo dormir, você pode fazer ao mesmo no astral deitado em sua cama, mas não deixe de dormir sem banimento. Se ocorrer projeção astral e/ou sonho lúcido, ao acordar também se lembre de fazer prontamente um banimento.

Centralização
Há milhares de exercícios que podem nos deixar centrados, mas como o nosso foco aqui é realizar a projeção astral, eu recomendo fazer o exercício de ativação dos pontos energéticos do corpo, esses pontos energéticos como já deve saber são comumente conhecidos como chacras. Exercícios de ativação dos pontos energéticos normalmente consistem em visualizações onde os iluminamos com suas respectivas cores, fazemos mantras e respiramos concentrando-nos neles. Um exercício básico é visualizar a cor do respectivo chacra vibrando o bija-mantra dele. Se sentir suficientemente seguro, você mesmo pode criar o seu exercício de ativação dos chacras. Particularmente eu gosto às vezes de usar um exercício de ativação dos pontos energéticos vibrando runas neles, a melhor runa para energização do chacra nesse caso é a Sowilo, você pode visualizar uma luz dourada iluminando seus pontos energéticos e o Stave da Runa, sua forma desenhada, sobre ele, vibrando o Galdr da Runa que tanto pode ser seu nome "Sowilo" como "SSSSSSSSSSSS" fazendo um chiado com a boca ao soprar a letra S.

Resumidamente o programa fica assim:
1 - Introspecção para definir o espírito.
2- Criação de sigilo e mantra
3- Carregar o sigilo.
4 - Produzir a Letra Sagrada por desenho automático.
5- Confirmar a Letra Sagrada usando métodos de divinação.
6 - Meditar sobre a Letra Sagrada de modo que fique bastante familiarizado com ela.
7 - Realizar os exercícios que te auxiliarão a obter a projeção astral: Banimento, Centralização, Técnica do Corpo Sonhador e Técnica da La Gorda. Combinar exercícios para Sonhos Lúcidos, se desejar. Ler sobre projeção astral num mínimo de uns 10 minutos por dia ou deixar algum livro sobre o assunto sobre sua cama para te lembrar que isso existe quando for dormir.
8 - O sucesso é a sua prova.

Bibliografia Inspiradora
Stealing the Fire of Heaven - Stephen Mace
Taking Power - Stephen Mace
Livro Quatro - Aleister Crowley
Liber III Vel Jugorum - Aleister Crowley
Carlos Castañeda - Todas as obras
Liber MMM - Peter Carroll
LiberNull - Peter Carroll
Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono - Tenzin Wangyal Rinpoche
Exploring the World of Lucid Dreaming - Stephen Laberge
Sonhos Lúcidos - Stephen Laberge
E mais uma porção que não me lembro agora, mas que flui do meu inconsciente.



Relato do primeiro resultado com a Técnica La Gorda.
Meditação 24/02/2010 (essa foi linda)
Hora: 4:35 – 5:38

Ao contrário dos dias anteriores em que eu usei a posição de lótus, nessa eu me deitei com a barriga voltada para cima. Como estou me voltando à arte do sonhar, coloquei toda a minha concentração em meu ventre, então observava minha respiração e focava minha atenção no local três dedos abaixo do umbigo como das outras vezes. Dentro do que eu julgo ter sido a primeira meia hora (embora nesses momentos de luta com a mente a meditação parece durar uma eternidade), não me lembro de mais nada do que eu pensava, mas sei que me deixava ir com meus pensamentos. Nessa altura eu senti que estava afogando e dei uma quebrada na imobilidade, engoli saliva e limpei a garganta e isso por incrível que pareça, fez o meu corpo relaxar.

Entrei naquele ponto de não-pensamento que eu chamo de “negrume”, é um estado que eu só consigo em meditação, é como dormir, a sensação é realmente de estar dormindo, mas há algo que te deixa alerta, lembra um pouco daquele estagio sono-vigília. Então, dentro desse negrume-meditativo, surgiu um tipo de pensamento bem esquisito, que não me lembro e despertei com nada mais, nada menos, meu corpo sonhador (\o/). A sensação que eu tinha com meu corpo sonhador era que minha cabeça estava pendendo sobre o pescoço (como se estivesse sentada, mas estava deitada). Tomei consciência linda e disse pra mim mesma: “Estou na segunda atenção” (com essas exatas palavras *.*). Eu estava totalmente desperta e lúcida em meu corpo sonhador e eu sabia que aquilo podia não durar por muito tempo, eu tinha urgência, lembrei então nesse momento que a La Gorda do Castañeda diz que a mulher sai da região do seu ventre para sonhar e pensei em respirar movendo o prana praquela região para eu sair para o Sonhar. Senti fortes espasmos no meu corpo todo (ou o que eu entendia como corpo) e uma pressão muito forte naquela região onde eu direcionei a respiração, a pressão era tão forte que a sensação que eu tinha era de dor.

Cara, incrível, eu me vi como algo pequeno, um foco de consciência, uma bolinha, sei lá o que poderia ser isso, eu me via percorrendo junto com minha respiração indo para a região do ventre. Vi de um modo que não sei explicar todo o caminho pelo meu corpo, não como uma câmera filmando meus órgãos e coisa do tipo, mas como se eu estivesse me movendo dentro de mim num tipo de nada (não tem nada, não tem nada – gritaria a Kat), era meu corpo, mas meu corpo não era algo, o que eu percorria era como um corredor de ar. Quando cheguei à altura do meu umbigo (um pouco abaixo) a dor aumentou.

Senti que estava perdendo a lucidez, caí logo após no negrume-meditativo novamente, então eu ouvi algo vindo dos recônditos do meu ser que dizia pra eu respirar, concentrei prontamente a respiração no ventre novamente, minha consciência estava lá, novamente os espasmos por todo o corpo e então meu corpo sonhador saiu (cara, foi um parto). Dei-me num espaço negro, mas não totalmente negro, era como o céu noturno na verdade, diante de mim havia uma névoa densa de nuvens cinzentas. Eu observava a névoa atentamente, sentia que tinha de atravessá-la, mas eu sabia que não ia manter aquele estado por muito tempo, por isso deixei-me sentir a paz que aquele lugar exalava, era um tipo de silêncio envolvente. Perdi a lucidez, senti todo o meu corpo normal bem desperta na primeira atenção, sem pensamentos, mas não dentro do negrume-meditativo, uma mente a ponto de querer pensar (muito). Intencionei então voltar para o negrume e lá caí e fiquei. Depois despertei de verdade com o despertador tocando.

Lindo, lindo. Quis compartilhar com vocês porque é a primeira vez que eu uso um método exclusivo Castañeda e o resultado foi positivo, saí em projeção pela região umbilical.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Enchendo Lingüiça

Eu gosto dos dias que amanhecem cinzas e escuros, com aquela aparência típica de que vai chover e esfriar. Dias assim me lembram momentos em que embora muitas vezes eu estivesse sentindo coisas as quais eu julgo negativas, ao mesmo tempo eu as aceitava como algo muito comum e com prazer e amor. Essa aceitação é como se fosse um gesto puro de auto-amor, onde medo, dor e prazer foram vencidos. Castañeda talvez chamasse esse estado de “não-piedade”, enquanto outros falariam “não-afeição”. Mas, não piedade e não afeição anulam uma a outra. E dizer tudo isso acima, significa que eu estou numa brisa louca de Spare ainda, cara.

Às vezes me sinto como se eu fosse algum tipo consciente da continuação de Spare, pela certeza com que concebo que entendo exatamente o que ele quer dizer porque eu mesma já vivi a mesma experiência, mas todo esse processo é muito intuitivo e místico na verdade. É a simbiose. O processo de identificação. Mas a simbiose seria um modo de continuação e preservação de uma espécie “mutante”? Nesses momentos penso se não foi Spare minha semente. E como no processo do girassol, eu tornar a ser a semente de alguém. Esse também não poderia ser um contexto para o Daemon?

E isso é divino. A beleza é de uma natureza divina e talvez feminina. Porque é a beleza o portal da entrega. Sempre nos entregamos completamente ao que é bonito. E a beleza é o universo tocado pela musica clássica em sua divina plenitude. E o universo em sua própria realeza altamente indefinida, terrivelmente confusa. Confusão é a matéria prima. Mas, então isso se torna à pura beleza fluindo por todo o espaço como uma enchente divina. E é tão prazerosamente belo, que se sente afogado e ao mesmo tempo entregue a uma sensação a qual não sabe como descrever. Essa é a profundidade a qual gostamos chamar de profundidade por um senso poético. É como se por um momento você simplesmente pudesse sentir exatamente aquilo que o compositor sentiu quando estava criando aquela musica. É a pura onda da vida. E então a simbiose novamente acontece e já estou transmutada. Sou então de uma raça mutante, infinitamente indefinida.

E o dia está tão cinza que faz com que a musica soe triste. E ao mesmo tempo é infinitamente belo, tão belo que só pode ser visto pelo coração. Toda a sua percepção vai instantaneamente para a região do cardíaco. E eu gosto de manhãs cinzas, com arvores espalhadas parcamente pelas ruas cinzas e asfaltadas, com os pombos que voam de casa em casa. É como se algo profundamente comovido e altamente extasiado dissesse que esse é exatamente o seu momento, é exatamente isso o que você está fazendo e apenas isso, mas tal como concebe, é toda a eternidade.

E saber disso é tão desesperador, como altamente libertador. Mas, se notarmos ambas as palavras usadas: “desesperador” e “libertador” terminam com “dor” - ou ainda: "desespera a dor" e "liberta da dor". Condicionamos então a idéia da morte a dor, e será exatamente isso que iremos sentir toda vez que tivermos que ascender para outro nível de percepção, é doloroso convencer-se da verdade, mas é apenas um processo, um pequeno processo de disciplinada repetição. E às vezes é tão terrivelmente solitário estar aqui em cima, nesse nível de consciência, que muitas vezes preferimos e nos acomodamos com a esfera mais comum. A nossa realidade consensual.

E o que eu acho mais divertido e irônico nisso tudo, é que sinto um enorme prazer em tentar racionalizar isso, sinto como se eu estivesse fazendo algo de grandioso. Como se eu ainda estivesse tão apegada a minha vida de “ser” condicionado, que eu quisesse na verdade simplesmente ser o psicopompo da minha própria consciência. De modo a manter em todos os lugares meus pequenos apegos, que certamente se tornarão uma condição. E tudo o que se torna uma condição, condiciona. Gira, tem o mesmo resultado. E sem todos esses condicionamentos, como será que conseguiríamos conviver? Não estaria eu com muito medo de ficar por muito tempo sozinha num lugar que todos ainda estão com medo de ficar? Mas, também isso não abriria o caminho para outros encorajados pelos primeiros, não pudessem também se chegar? E eu também tenho a palavra do Aeon, eu também tenho as chaves de todos os outros aeons possíveis. Porque ao amar a beleza com tal auto-amor, eu não estaria também imprimindo uma forte função no universo, ao qual os outros também não tentariam se adaptar? É sempre a velha história do ambiente hostil.

E os vírus da beleza se espalham pelas notas e acordes da musica clássica e todo aquele que se prontifica a se entregar por um momento naquela musica, vive a simbiose automaticamente com ela, e várias coisas podem ser vistas ao mesmo tempo, mas pelo excesso de informação, não paramos para descrever e então reconhecemo-nos como iguais aquilo, num nível muito profundo. É como uma suave dança magicka. E eu não entendo porque muitas vezes eu sinto o belo como triste. Seria minha natureza mais voltada a tristeza que vê nela a beleza? E se é exatamente isso. Por que então deveria estar acontecendo algo de errado comigo? Porque não há, na verdade, nada de errado. Eu sou a pura expressão da perfeição em mim mesma. A dança clássica dos deuses!

E Baphomet simplesmente faz a dança dos bracinhos, sempre um pra cima e outro pra baixo. Sempre menina e sempre velha, sendo tão somente no momento eterno presente a mulher. E é Daleth que brilha acima de minha cabeça, não Gimel, como muitos queriam, inclusive eu. Porque assim como aprendi a dançar, eu também aprendi a mover. E então você imagina aquela quem um dia caiu na beleza de uma mesma forma. E isso é obsessivo de minha parte! Porque na verdade o mundo é tão destituído de sentido, que é mais prazeroso pensar como queremos descrever que nossas vidas sejam.

E alguém já te condicionou da mesma forma antes. Então, você tem de ir aos poucos dando espaço para sair do condicionamento. Mas, esse ato é em si uma nova condição. E ao mesmo tempo que parece doloroso pela questão do profundo desejo de liberdade, é definitivamente doloroso. Todas aquelas crenças que você gostou, todas aquelas crenças que você se apegou, por pior que fossem, é o que te faz também desejar ficar. É por isso que os budistas insistentemente diziam para procurarmos o caminho do meio. Não-afeição = Desapego. Estar em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. Spare chamaria isso de crença livre, talvez.

Mas tem coisas que você gosta tanto e tanto, que sacrifica a cada dia a sua liberdade por causa dela. É como são os casos de amor ultimamente. Não é o amor fluindo pela beleza na suave musica do universo, mas sim um apego obsessivo ao qual não conseguimos nos soltar. E assim amo também minha dor, meu medo, minhas inseguranças, minha materialidade, meu corpo, meus parentes, meus amigos e assim por diante. Mas isso não é amor, isso é apego. E esse apego é o que me faz viver uma anorexia amorosa de forma ambientalmente social. Seja como for, eu estou em permanente conflito com a sociedade e uma das duas forças uma hora terá de se modificar, para mais ou para menos, e então, não há mais conflito e eu não fico cansada.

E não se cansar significa acumulo de poder pessoal. Quanto mais descansados, mais poderosos. Quanto mais relaxado, mais benigno. Quanto mais profundamente relaxado, mais severo. Mas, estamos constantemente atentos ao medo e continuamente não nos entregamos. Ou será que isso soa como punição? E se sim, por que estaríamos nos punindo? Por que não nos permitir uma conexão direta com isso todo o tempo? Será que é só o puro instinto gregário que nos impede de dar o próximo passo? E por que gostamos tanto de estar perto, se não fosse pelo medo contínuo da nossa idéia de separação? E isso soa tão bonito, porque isso soa como real. Como se você estivesse fisicamente distante de mim, muito próximo a ela (a outra pessoa) e você souber com toda a sua profundidade, que está eternamente mais próximo de mim, do que dela, porque eu me tornei como uma pequena lâmpada que tua consciência acende sempre que se foca nela. E é quando por vias do amor eu mergulho no divino por meio de teu corpo, que nós entendemos porque desejamos tanto a simbiose no final das contas. Só pela simbiose é que podemos conceber a visão do amor pelo outro. E sermos profundamente confortados porque temos opções e isso gera o intenso prazer, o puro êxtase.

E por mais bonito que isso pode parecer para mim agora, eu alerto para o fato de que é puro enchimento de lingüiça durante uma longa brisa. Porque justamente agora eu estou saudando o amanhecer, dançando Bach com o Sol. E pensando no próximo prazer que eu irei me dar. Porque é aceitando o prazer que nós encontramos um tipo de sobriedade  para conviver com a eternidade e esse é o nosso direito. E que minhas palavras estejam tão cheias de beleza, como a visão que mantenho dentro de mim. Pois é sempre a beleza a dominar a força. E isso me lembra tanto Volúpia! E isso é tão belo como só a poesia poderia ser e tão feminino como só uma mulher pode se expressar. Mas, ainda não deixa de ser enchimento de lingüiça.  

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

I don't mind!

A chuva cai pesada lá fora e bem, às vezes eu gosto de dizer para a chuva que eu não me importo. Aliás, pelo quê eu deveria estar me importando agora? O universo gosta de sorrir, querido, e tempo é apenas ilusão. Quando nós abrimos a janela para olharmos o dia e vemos que as pessoas caminham com seus guarda-chuvas, um bêbado tropeça em sua própria garrafa e tudo o que eu não quero ter é razão.

E muitas vezes estamos nos importando tanto, nos importando com o que aquela pessoa falou, nos importando com o telefone que às vezes insiste em não tocar, naquela entrevista de emprego que demora em nos chamar, com a promoção no trabalho que parece nunca acontecer, com o pneu do carro que furou, com os erros que cometemos conosco ou com outros, com aqueles que são queridos, com aqueles que são repugnantes. E às vezes estamos tão empenhados em nos importar que muitas vezes nem sabemos porque é tão importante.

Com o  que anda gastando seu tempo, baby? Com qual assunto tem saturado a sua mente? Isso é realmente importante? Isso é realmente importante? Ou só está se deixando levar por qualquer vento? O universo continua sorrindo apesar de tudo. Então o que há de mais importante que se manter conectado com o fluir da vida? O que há de mais importante que deixar sua mente descansar no simples momento?

Sou como aquela folha que se desprendeu da copa e agora repousa sobre o chão ao sabor do vento. E não há nada mais importante que repousar, não há nada mais importante agora que me deixar curtir o momento e ouvir um maluco que canta e grita sob a chuva. Querido, não quer dizer que isso não tem importância, não quer dizer que suas expectativas não são também minhas ou semelhantes com as dos outros, mas a vida tem que fluir em seu próprio ritmo, o mundo precisa rolar em seu próprio campo. Estou apenas dando um espaço, estou apenas retirando as coisas velhas que não têm mais nenhum motivo para estar.

Não personifico nada, não me pareço com nada e sequer estou triste, mas isso não tem nada a ver com indiferença, só estou deixando por um momento que a vida escreva sua própria história, só estou permitindo por um momento que o universo se expresse da maneira que ele achar que deve. Acho que há momentos em que controlarmos a situação é importante, acho que há momentos em que nos situarmos e fazer valer nossa vontade é de extremo valor. Mas, há momentos em que observar e contemplar a vida da maneira que ela quer se apresentar pode ser um belo espetáculo para se assistir.

Mas, saiba, querido, eu estou ao redor... Você sabe, querido, que eu estarei sempre ao redor... Eu sempre estou ao redor e estou assistindo à peça do universo. Só por esse momento eu não quero ter razão e não quero ter controle, só por um momento eu quero me dar o direito de permitir que o universo se expresse da maneira que ele quer fazer, que o universo diga o que ele queira dizer. E como um velho bêbado, o universo não sabe fazer outra coisa senão rir. A gargalhada perene!

Li a pouco sobre alguém que queria se tornar um deus, lembrei-me em seguida que eu também quero ser uma deusa às vezes. Mas às vezes ser deus significa aprender a observar o fluxo da vida como ele se apresenta, às vezes para aprender ser deus é necessário ser honestamente humano, às vezes para ser deus é necessário se lembrar de que se é uma estrela e que o universo está cheio delas. Às vezes para ser deus, basta apenas fazer parte, basta apenas calar-se e parar o mundo interno.

E não estou querendo ter razão, estou querendo ser bela. Não estou querendo ser deusa, estou querendo ser humana. Não estou querendo ser o vento, quero apenas ser a folha que se desprendeu da copa. Não estou querendo agir, estou querendo simplesmente observar a beleza que se estende adiante de mim. Não quero ser o rio, quero apenas ser a fonte. Porque parar às vezes pode ser assustador, não se importar às vezes pode ser um tormento, não tentar controlar todas as situações pode te fazer sentir como se estivesse caindo num penhasco. Mas, depois que todos os seus demônios se aquietam e você se acostuma com a nova situação, parece que perde a importância de se importar tanto com as coisas.

Então, querido, se sente ao meu lado e olhemos para o nada, não estamos aqui para falar, ou para acertar as coisas, ou para nos importarmos com o que pode vir a ser ou com o que já passou, eu só quero nesse instante viver esse exato momento. Eu só quero nesse momento deixar minha mente devanear naquilo que ela achar mais prazeroso, eu só quero me dar o direito de ouvir a chuva, ou de sentir o vento tocando em minha pele.

Eu só estou me dando o direito de assistir a dança de Shiva, de ouvir as gargalhadas do universo, os murmúrios de Gaia ou estar receptiva para que as coisas aconteçam da maneira que elas queiram se apresentar. Eu só quero me dar esse tempo para poder ouvir Janis Joplin sem me preocupar, ou ter de fazer, ou cumprir prazos. Eu estou me dando o direito de repousar no silêncio criativo. No ser do próprio existir.

Mas isso não quer dizer que não é importante. Eu sempre estarei ao redor, querido.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fala que eu te xingo...

E as bobeiras vêm aos montes.

Pergunte que eu te respondo:

Joana – Chaos Baby, é verdade que se eu me apaixonar por um homem casado e der pra ele por um longo tempo e ser a melhor mulher do mundo, a mais sexy, a mais boazuda e o irritar pouco, ele deixa a mulher dele para ficar comigo?

Chaos Baby - Pode ser que sim, pode ser que não. Normalmente homem casado gosta de ter amante porque está viciado em adrenalina. Aí como ele é um neurótico problemático viciado em adrenalina e nem sabe disso, ele pensa que está apaixonado por você, mas na boa ele só está apaixonado por sexo interessante, cheio de aventuras, neuroses, medos e culpas e se ele ficar com você, por causa do vício que nem ele sabe que ele tem, ele vai arrumar outra amante e a corna vai ser você. Melhor ficar dando pro cara do jeito que está, enchê-lo de culpa e fazê-lo pagar suas contas. Já que vai dar, ganhe algum retorno com isso, amor não enche barriga.

Tadeu – Chaos Baby, eu estou sofrendo muito, meu patrão vive me enchendo de serviços, me humilha, me xinga e ainda promoveu o filho dele lá na empresa, eu queria pedir demissão, mas eu ainda estou confuso com isso.

Chaos Baby – Confuso você não está, você já sabe que quer demissão porque o seu patrão é um filho da puta. O que você está é com medo, porque você é um idiota condicionado incapaz de fazer qualquer coisa que queira. Aí fica aí frustrado, porque você realmente acredita que o Brasil está uma merda, pensa que vai ficar desempregado pro resto da vida e está com o cu na mão de tanto medo de se fuder. Então, você aceita essa situação miserável por medo de mudar. Não duvido muito que quando o seu patrão te demitir e será isso que ele irá fazer, porque você é um medroso cheio de auto-piedade, que você não pegará todo o dinheiro da sua demissão e dará de dízimo na igreja universal implorando para que Deus te dê outro emprego miserável como esse que você detesta e mantém.

Maria – Chaos Baby, é verdade que se eu der para um cara no primeiro encontro ele vai pensar que eu sou uma vadia e não vai querer namorar comigo?

Chaos Baby – Depende. Os homens são bons e inteligentes (às vezes, porque quando pegam pra ser burro nem Buda dá jeito) e eles reconhecem uma idiota de longe e os tipos mais estúpidos adoram as idiotas. E você é uma idiota. Pra começar você é uma imunda que pensa em dar em troca do receber, mas não do jeito simples que as coisas tem que ser. Primeiro, minha filha, se você quer dar, dá. Se ele vai ou não te ligar no dia seguinte é um problema dele, não seu. Se você quer dá e não dá só pro cara ficar com você até te comer, quando ele te comer, ele vai ver o quanto você é idiota e vai dar o fora. Se um cara te pede em namoro só porque você não deu, ele é tão idiota quanto você, aí certamente vocês dois condicionados filhos da puta, vão criar uma família, terem filhos condicionados e idiotas feito vocês e o mundo continuará essa merda que é. Se você encontrar um amigo meu e der no primeiro encontro, se o cara gostar de você e não notar que você é uma idiota, não importa se deu ou não, ele decidirá se gostará de você ou não, se ele gostar ele te coloca no armário, se gostar, mas não tanto assim, ele vai te ligar de vez em quando. Mas, com essa sua mentalidade alá Virgem Maria, certamente nenhum amigo meu vai gostar de você. Então, a dica que eu dou é ou deixa de ser idiota ou continue uma idiota.

Josefa – É verdade que os homens gostam de mulheres difíceis?

Chaos Baby – É verdade que os homens (os heteros) gostam de mulheres. Se você se fizer de difícil e quer dar, cairá no nível de idiotice crônica da fulana respondida acima.

Socorro – Chaos Baby, é verdade que quanto menos eu der pro meu namorado, mais tempo ele vai ficar comigo?

Chaos Baby – É verdade que quanto menos você der para o seu namorado, mais tempo ele ficará com as outras.

Antonieta – Chaos Baby, é verdade que os homens preferem as mulheres de cabelos lisos?

Chaos Baby – Na verdade o grau de idiotice e falta de personalidade fizeram os homens achar que só as mulheres que seguem a moda é que são bonitas. Menina, não se engane, é um bando de condicionados, filhos da puta, controlados pela mídia.

Damascena – Chaos Baby, que eu faço? Meu marido me troca para assistir jogo do Corinthians.

Chaos Baby – O que você faz? Se mata. Puta falta de amor próprio! Além de casar com um maloqueiro, ainda reclama porque ele te troca pelo futebol. 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Entregue-me aos rios

Uma manhã cinza, o mundo parece estar um tanto complicado hoje, as verdades me soam como mentiras, as mentiras como verdades, e, eu acho que estou bastante confusa. Mas, nós podemos escolher o que queremos ser hoje e eu acho que às vezes eu só queria poder ter um pouco do passado de volta. Isso soa melancólico, eu sei. Mas, quando as sombras dançam na parede do meu quarto eu juro que talvez eu não encontre mais ninguém no mundo como ele.

Tão longe, tão perto... Eu continuo lendo esse livro em voz alta, eu observo a aranha que morreu no corredor, eu acendo mais um cigarro, espio o dia pela janela e nesse rio que atravesso, quem sabe o próprio Aqueronte, eu não sei exatamente para onde estou indo, sendo, talvez, qualquer uma de minhas escolhas um caminho para o Érebo.  Isso não me deixa triste, não, é o passado, a outra margem que deixei que às vezes sopra uma brisa de melancolia.

E enquanto eu caminho por essas ruas sujas dentro dessa manhã cinza e quente, as pessoas seguindo para viver o dia, lembro-me nos cantos mais inusitados de alguns momentos e nesse pequeno instante eu escondo de mim qualquer tipo de sentimento que esteja em desacordo com a nuvem que escorre tempestuosa para o sul da minha alma. Por favor, me deixe sozinha agora, eu só preciso jogar poker.

Você está arrependido? Está arrependido? Nós cortamos as arvores, transformamo-las em lenhas, ateamos fogo e nem precisávamos disso. Foi pura diversão, você teria me dito. Eu nem ligo, eu nem ligo. Sabe o que eu encontrei aqui? Alguns pedaços de sorrisos velhos que caíram junto com a chuva que devastou a cidade, Caronte sorri, talvez eu mesma estivesse também sorrindo nesse barquinho.

Pegue sua corda, amarre-a bem no teto e depois a aperte ainda melhor em seu pescoço. Sem carta de despedida, sem moeda sob a língua, não nos encontraremos no Érebo. Mas, se quiser, eu posso escorregar nesse abismo e te entregar uma rosa, ainda que morra, porque a morte é só mais um começo. Porém, eu não entendo, estou moribunda há tanto tempo e nunca morro. Minha corda era fraca demais...

Leio novamente o livro em voz alta, todos os dias eu perco grande parte do meu precioso tempo lendo esse livro cheio de mentiras. Eu acho que só preciso de um banho, uma cama e algumas horas de sono, mas isso não exclui o fato de eu estar perpetuamente cansada disso tudo. Isso não exclui o fato de excluir o excluso, eu inclusive.

Onze da manhã, o dever me chama, o lado b da vida me espera, talvez um poço de morte, ou uma fonte dos desejos, talvez um céu enegrecido ou uma terra esbranquiçada. I don’t mind! Temo não haver mais ninguém no mundo como ele. Temo não haver mais mundo como aquele. Temo estar tomando a decisão errada. Temo, mas não faço nada, porque às vezes pode se sentir um prazer divino em temer. Jogue o que restar de mim no Estige, mas minha mente, minha mente, essa é para o Lete.

E eu me deito, eu me jogo, eu minto, eu te amo, eu te detesto, eu falo a verdade, eu jogo baralho com Loki, eu escorrego no tobogã do horrível para me afogar no Nilo... E em meu ultimo lamento, em meu ultimo lamento, eu imploro a Dionísio, ainda que implorar não seja uma arte que eu faça bem... Por favor, leve-me, leve-me para todos os lugares e para lugar nenhum, Dionísio, porque maldita foi a hora que Prometeu me deu este fogo amaldiçoado! Porque eu desejei ser humana, mas Prometeu insistiu para que eu fosse um ser divino.

E eu morro, eu sinto sua falta, eu gargalho, eu digo e eu estou mentindo. Leve-me agora para longe, Dionísio. Estou farta do abismo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

How Soon Is Now?

Não que eu pudesse dizer tudo com precisão, mas sei o que me espera na próxima curva e eu não sei se estou sendo justa, mas eu preciso jogar com isso, não porque isso muda todas as coisas ou por algum motivo eu esteja sendo maldosa, eu também preciso disso como preciso de ar. Ele teria me dito que o espelho é um tipo de portal e muitas vezes não sei se reconheço aquele meu reflexo nele.

Matem o último homem restante dessa raça mutante, porque quando a musica simplesmente parar de tocar, alguém com um extremo bom gosto deitará uma lágrima, não porque isso faça qualquer sentido, mas os anjos às vezes não são tão generosos quanto queremos que sejam. E eu tenho deitado algum tipo de compreensão dentro disso, mas aquelas fotos, todas aquelas fotos, não me disseram qualquer outra coisa a não ser o quanto isso pode ser difícil para você e não que eu esteja sendo pessimista, mas isso é encantador.

Permita-me tomar um pouco de seu tempo, porque isso é tudo que você poderia estar disposto a me dar agora e quando o sol evita aparecer no horizonte, não que isso seja tão difícil, mas a vida deita um tipo de concordância dentro da alvorada da perdição. E eu queria estar muito errada quanto a isso tudo, mas nunca me senti assim tão certa, tão sensata e tão sóbria. Não dentro dessa intensidade.

Por que teve de escolher ser uma ponte quando poderia ser um porto? Por que decidiu pousar, passarinho? Mas, creio que não estou tão certa quando eu dou o meu tempo para falar sobre você. Você não está claro, não, você não está claro e penso se não foi você que decidiu sumir com o sol hoje. Eu estou rolando nessas escadas que me levam para dentro do que acho que é um oráculo. Como saber se estou certa? Diante de tamanha ambigüidade poderia haver algum tipo de certeza, se não fosse pela nossa capacidade de interpretar tudo errado.

Você ouviu isso? Podemos interpretar tudo errado e isso talvez nos dê uma chance (em um milhão?). São essas imagens que saltam sem parar e eu penso que sei, eu penso que sei, mas eu posso estar enganada. Deitou um tipo de solitude no amanhecer, um tipo de escolha sinistra diante de um olhar impreciso. Isso não quer dizer que não podemos estar certos. Não, isso pode significar que nós estamos certos.

Eu não quero parar de escrever, mas são tantas informações que tomam minha mente que não sinto ter qualquer controle sobre isso e é tão obscuro isso que eu vejo para você. Você está caminhando num dia cinza, num dia muito cinza e eu acho que já vi essa história antes, eu acho que eu já vivi essa história antes. Deveria ser verão, sim deveria. Mas é inverno e o inverno nem sempre é cuidadoso com nossos sentimentos.

E diga que o vento pode estar soprando e dizendo que eu estou louca. O vento poderia levar isso tudo embora? Não, creio que não, esse é o seu tempo, o seu tempo e isso pode ser algo que te traga algum tipo de divindade. E como está se sentindo agora? Eu realmente estou preocupada e eu realmente quero saber como está se sentindo, porque não sei como podemos ficar depois que o caos nos pinta ao seu gosto. E nenhum tipo de pensamento ou sentido me faz pensar que o que estamos fazendo é pura tortura, pura tortura.

Acho que em dias assim gosto de me ver caminhando pelas ruas, a sombrinha me dá um ar de inocência. Eu acendo um cigarro e sinto como se estivesse chapada, ainda que eu não tenha ingerido nada e essas imagens, essas imagens não querem deixar a minha mente, essas imagens querem me provar algo, querem me dizer algo e eu gostaria de dá-las todas para você e por mais que eu quisesse, eu não conseguiria ser tão clara... De qualquer modo, você me julgará louca e isso me faz encolher no canto do quarto, porque, querido, eu queria ser um quadro bonito para você.

Diga para parar! Diga para parar! E eu não consigo fazer outra coisa, eu me balanço na cadeira, eu quero dizer isso para todo mundo, eu quero dizer, mas ninguém me compreenderia ninguém me compreenderia. Resta-me deixar isso escrito em algum lugar para depois provar que eu sempre soube, eu sempre soube. E, querido, eu realmente me importo com você, embora adiante acreditará piamente que não. E eu não desejo que seja diferente e eu desejo que seja diferente. Talvez seja essa minha maldição, me responsabilizar por tudo o que estou fazendo para você.

Querido, me abrace e diga que eu estou louca.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Depressão - Nem perca seu tempo lendo...




Eu vou te contar uma história,
Uma história de como uma criança
Simplesmente amadureceu.
Eu vou te contar uma história
Uma história que eu tenho escondido
Porque não faz o menor sentido contá-la.
Mas, quando os brincos caem,
Quando o bebê morre,
Quando você se olha diante do espelho,
Você reconta todas as velhas histórias.
Então, me permita contar uma história
Uma história onde uma criança soube
Que o mundo era exatamente o que diziam.
Vou te contar uma história,
Uma história sobre como eu te estapeei a noite
E eu quis te afogar numa poça.
Vou te contar uma história,
Uma história que você pode não gostar,
Mas, quanto mais próximo estiver,
Eu vou procurar te matar...
Te matar.

E isso é tão abstrato.
É tão abstrato.


Eu não teria como dizer não.
Eu não poderia dizer não.
E isso é tão abstrato.


Eu não poderia dizer não.
Eu não teria como dizer não.
E isso é tão enlouquecedor.

Deixe-me contar uma história,
Uma história de todas as coisas que eu vi,
E que eu sempre soube.
Eu não menti, eu não menti, embora devesse.
Vou te contar uma história,
Uma história do quanto eu vou procurar te afastar,
Não porque você não pode estar,
Não porque eu não quero que fique.
Eu quero que fique, saiba eu quero que fique.
Eu não poderia te dizer não,
Mas, eu te mataria.
Te despedaçaria...
E choraria tua morte pelo resto dos meus dias.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como posso chamar isso?

Sons, cores, imagens, abstrato...

Procurando minha liberdade me sinto insana, há uma estranheza... São relacionamentos eternos, relacionamentos eternos...

Eles estão ali e existem e sempre existiram, mas você não se dava conta disso, como que se tais relacionamentos já estivessem acontecendo o tempo todo, até que o percebe e então, ele parece uma realidade para você, mas ele já era real antes mesmo de olhá-lo, ou tão irreal que depende da sua credibilidade consciente para existir.

Isso me faz lembrar o giro financeiro, ele existe ainda que eu o desconheça como eu existo ainda que ele me desconheça.

É tão estranho, tão estranho... E é tão normal quanto juntar um monte de letras para formar essa frase, tão atual como o jornal de hoje, tão devastador quanto à tempestade que desabava do lado de fora quando isso me tocou.

E sinceramente isso muitas vezes parece querer não fazer sentido. “Não espere uma resposta rápida” – ele me disse: “Eu só estou tentando dar um sentido intelectual para isso” – eu repliquei. E por algum motivo muito profundo, algum motivo realmente profundo, eu sinto que estou desabando, para dentro de mim mesma, para dentro do cosmo.

Ela se levantou tão bonita e tão feroz, ela se levantou e eu já sabia seu nome. Eu podia a sentir incomodada e eu queria que soubesse que eu tinha tanto medo dela, quanto ela pareceu sentir de mim, mas depois eu soube que só eu estava com medo... E eu a perdi por um só momento, eu a perdi e me vi furiosa.

B. não poderia fazer muito, eu bem sabia, nós podíamos jogar poker, mas talvez soasse estranho demais para duas pessoas tão diferentes. Eu acho que B. sabia disso, enquanto que eu ainda permanecia, para variar, como a confusa da história. E eu penso que preciso parar de ouvir para aprender ver. E eu penso que estou enlouquecendo quando a ouço gritar. E eu estou muito confusa e ela talvez se sinta incompreendida.

A musica é alienígena, mas terrivelmente hipnotizante, é tão profundamente relaxante, é como se estivesse ouvindo o som que criou o universo, parece tão profundo e ao mesmo tempo tão elevado, que quero me deixar ir. Uma coronhada na cabeça e a ordem: “Vamos, acorda!”.

Deixo mais um simples toque, eu me lembro do quadro bonito, que por raiva ou capricho, ou mesmo um cinismo auto-imposto e pouco percebido me fez jogar lençóis sobre ele, ignorando sua existência. Coisas tão difíceis de ouvir, coisas tão amáveis de ouvir. Coisas... E eu penso e no momento seguinte já estou confusa sobre o que estou fazendo...

E então o outro me mostra o quanto todos aqueles meus sonhos estavam certos, e sem que me perceba posso tocar o muro da sua insatisfação, eu posso tocar o muro da sua infelicidade. E sem que eu possa sentir de outro modo, dentro dessa limitação, não estou surpresa de que estava certa e não estou surpresa com o que está acontecendo, porque como nos relacionamentos, esses eventos já estavam acontecendo o tempo todo e ganhou nossa atenção, mas não sei dizer como, eu já os tinha percebido antes, quando as aranhas dançavam em meus sonhos. E eu lamento por não ser tão benigna, mas sinto prazer nisso.

Deliberadamente confuso, deliberadamente verdadeiro, deliberadamente estranho. Quatro histórias, enquanto delírio olha os morangos podres jogados na rua. Quatro seres, embora não sei dizer se isso faz qualquer diferença. Quatro episódios, embora eu não esteja ainda falando da tempestade. Porque é assim que tem de ser.



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