domingo, 27 de março de 2011

Projeção Caostral - Chaos Astral...

Projeção Caostral
By Chaos Baby

Gosto muito do Stephen Mace pelo tom caótico que ele dá as velhas práticas. Ainda não terminei de ler o livro pelo qual estou sendo inspirada para este programa, para poder dizer com precisão o teor do livro por completo, mas os três primeiros capítulos já dão um bom material e idéias para quem se interessa por coisas como Sigilos, Letras Sagradas, Projeção Astral, Sagrado Anjo Guardião e de tratar a própria psique e seus eventos, complexos, arquétipos, comportamentos, personalidade, como uma habitação de milhares de espíritos (Nosso nome é legião). O que nem é tão novo, convenhamos. Pelas palavras do próprio Mace em seu Taking Power:

 A feitiçaria trabalha sobre o pressuposto que cada aspecto distinto da energia psíquica que pode ser definido é como um “espírito” separado, autoconsciente, uma entidade individual com quem o feiticeiro entra num relacionamento pessoal. O feiticeiro respeita o espírito como se fosse uma “pessoa” individual que atua para realizar uma tarefa psíquica específica. Por definição (ou convenção), qualquer função mental você pode especificar como – consciente, inconsciente ou uma combinação dos dois – pode ser considerada como um espírito separado, uma personalidade com um nome que você pode vincular a sua vontade. O feiticeiro sustenta o pensamento de que a personalidade humana é um conjunto de espíritos mais ou menos sob o controle de uma coluna central de percepção e vontade. Em essência é como uma relação feudal; você é o senhor e seus espíritos são os seus vassalos, e através deles você reivindica sua superioridade sobre o seu reino.

A idéia principal desse programa é trabalhar em cima desse paradigma, usando a técnica de sigilos e letras sagradas para se encontrar com qualquer espírito que você desejar numa projeção astral. Você não precisa necessariamente criar um mapa ou fazer um programa extenso, mas tem de saber por onde começar. O Mace alerta que é inevitável se decepcionar ao fazer projeção por divertimento ou iluminação, e afirma, assim como Crowley em quem ele se suste o tempo todo, que para evitar as seduções do astral e evitar que qualquer coisa ou espírito se mescle em sua aura, você tem de ter uma razão prática para cada viagem que fizer. Isso porque Mace também enfatiza que todos os espíritos e entidades que encontramos no astral devem ser testados, por exemplo, se sairmos em projeção usando algum símbolo cabalístico e nos encontramos como uma entidade que se diz pertencer àquela esfera, então é necessário que projetamos o símbolo sobre ela, pois se for uma impostora ela irá se desintegrar e desaparecer, mas se for realmente um espírito daquela esfera ele se tornará mais forte.

Nós podemos usar de nossa imaginação e criar qualquer propósito objetivo para esse fim. Mace se baseia muito em energias psíquicas pessoais, como demônios que queremos controlar, poderes positivos para ser definidos, um guia para a própria projeção astral, que ele enfatiza ser prioritário conhecer e conversar com o Sagrado Anjo Guardião para esse fim de guia, penetrar os chacras, redirecionar energias psíquicas de ressentimentos, reconhecer reflexos primitivos para ser desconectados, etc. Ele ainda diz que muito do que você pode fazer a esse respeito vai depender muito de seu controle e poder pessoal que você pode acumular, e das descobertas espontâneas que você terá enquanto você faz isso.

Espero ter conseguido explicar a idéia da coisa toda, então vamos à parte que realmente interessa. Mace diz que o mago deve sempre procurar se encontrar com seus demônios para controlá-los, ele defende essa tese porque diz que na medida em que nós crescemos em poder com a prática e treinamento em magick, nossos demônios podem nos proporcionar ataques fulminantes levando-nos a total autodestruição. Ele dá o conselho de começarmos com demônios que estejam bem visíveis para nós, para uma introdução nesse assunto sugiro a leitura de um artigo do Phill Hine sobre os demônios do hábito (só não estou muito certa de que seja do Hine), que são aqueles que nós já podemos de um jeito ou de outro reconhecer. Mas, particularmente creio que aqui, em nível de experimentar algo novo, nós podemos tentar coisas mais “light” e assim que vamos obtendo maior destreza na prática irmos para o lado mais “dark” da personalidade. A técnica de sigilação é a seguinte. Supomos que já escolhemos encontrar o espírito da sedução, então nós vamos criar primeiramente um sigilo mantrico da sentença que nesse caso pode ser:

Como me tornar mais sedutor

Criando o mantra dessa frase (ver técnica de sigilo se não sabe fazer um), nós criamos o grifo e vamos carregar ao mesmo. Nós não vamos destruir esse sigilo assim que sentirmos que ele está carregado e esse processo também pode levar alguns dias. Num dado momento nós vamos fazer desenho automático para retirarmos a Letra Sagrada desse desenho. O processo é mais ou menos simples. Nós vamos ficar olhando para o nosso sigilo, enquanto deixamos nossa mão solta rabiscando um papel (você pode treinar desenho automático antes, rabiscando milhares de folhas de papel até se sentir mais a vontade com a técnica), a idéia aqui é deixar realmente seu inconsciente fazer esses rabiscos, busque deixar sua mão boba, sem tentar controlar seus movimentos e procurando focar sua atenção totalmente no seu sigilo. No momento em que sentir que já conseguiu extrair de seu inconsciente a Letra, você vai buscar por ela em seus rabiscos. Ela será certamente aquela linha, ou forma que vai te chamar muito a atenção.
O Mace enfatiza que é de extrema importância assim que encontrarmos a Letra Sagrada, fazermos tantas divinações quanto acharmos necessário para que não cometemos o erro de evocar alguma coisa que não é exatamente aquilo que queremos, isso pode nos colocar em apuros. Portanto, se não tiver também nenhuma habilidade com divinação é melhor desistir antes mesmo de começar.
Suponhamos então que o nosso espírito aqui é Sedução e é justamente com ele que queremos nos encontrar no astral. Munidos de seu símbolo (a Letra Sagrada), nós vamos então realizar a projeção astral propositadamente. A intenção seria nessa projeção encontrarmos com Sedução, testá-lo impondo sobre ele o seu símbolo, a nossa Letra Sagrada, como já dito acima, que se ao impor o símbolo sobre ele e ele se desintegrar, então não estamos tratando com Sedução, mas com outro espírito impostor qualquer, mas ao encontrarmos com Sedução e ao impor seu símbolo sobre ele, ele ficará mais forte e então você pode defini-lo. Isso se dá com uma conversa, talvez. É necessário fazê-lo com que diga seu nome, pois como estamos carecas de saber, nome confere poder e tendo acesso a esse conhecimento, nós poderemos controlar Sedução dentro do nosso cotidiano, sempre que necessitarmos dele, usando de seu nome e símbolo. Mace alega que é interessante que, como aqui no nosso exemplo, Sedução, tenha um nome Barbárico, Mantrico, até que saibamos seu nome ao encontrá-lo numa projeção, para que desvincule qualquer associação que possamos fazer com a palavra Sedução. Por isso toda a técnica de produção desse símbolo e mantra é baseada na técnica de sigilo.
Bem, mas para que ocorra a projeção, o mago a fim de experimentar essa técnica deve já ter um tipo de desenvolvimento com a projeção, ou buscar se desenvolver a partir de seu desejo de encontrar no astral com qualquer espírito que ele desejar. Para o sucesso dessa prática é importante que o mago tenha um mínimo controle sobre sua vontade, ao contrário será o mesmo que comprar o seu passaporte para o hospício. Não quero com isso criar nenhum medo ou bloqueio para prática, mas é importante lembrar que o controle mental e disciplinar a força de vontade é essencial para que não se acabe fazendo besteiras ou se autodestruir por pura diversão ou qualquer outro bom motivo para fazer isso. Para isso, se caso o mago não tiver um treinamento prévio, ele pode procurar fazer o exercício de Metamorfose do Liber MMM, ou ainda praticar o Liber III do Crowley, a livre escolha.
Então sem mais blábláblá, ficamos conscientes de que um treinamento prévio da vontade e conhecimento na arte de divinação são requisitos básicos até aqui, acho que nem preciso dizer que para esse programa é essencial saber fazer e carregar sigilos. Vamos para a parte que nos toca agora.
Há milhares de técnicas para se obter projeção astral em milhares de livros, sites, comunidades e listas sobre o assunto. Em minha própria experiência, sempre foi um aglomerado de pequenos exercícios e práticas que me levaram a ter projeção astral, mas em especial meditar na respiração tem sido para mim uma das práticas essenciais para esse fim e observando milhares de técnicas que li em alguns livros, muitas visualizações podem ser diferentes, mas a técnica de se respirar é sempre a mesma. Porém, também vale dizer que eu tenho maior facilidade de me projetar durante uma meditação do que quando estou dormindo e sonhando. Mas, se esse não for o seu caso e ainda para obter um melhor desempenho dentro do programa, nós podemos usar técnicas para obter sonhos lúcidos. Estas poderiam ser qualquer uma que quiser, testes de realidade, programação dos sonhos, sinais oníricos, há uma infinidade de técnicas para isso solta na internet, basta ir ao Google.

Definimos assim:

1 - Parte caótica
Introspecção para definirmos qual o espírito que queremos encontrar e por que. Seguido de criação de sigilo e mantra, carregamento do mesmo, criação da Letra Sagrada, comprovação da mesma por meio de divinação. Após obter a Letra creio ser necessário familiarizar-se ao máximo com ela, a ponto de poder evocá-la dentro da projeção. Muitos de nós, eu inclusive, ficamos burrinhos quando estamos em projeção e pode acontecer de não conseguirmos evocar o símbolo, ou se lembrar dele, ou ter uma leve dificuldade de fazer coisas que faríamos com muita facilidade aqui. Lembrando que lá é outro território e as regras são outras, de modo que você deve se treinar ao máximo para se comportar de acordo. Aos que já possuem bastante familiaridade com a projeção talvez isso não seja importante, mas para aqueles que necessitam de um esforço maior, como eu, ao criar uma letra para estados mentais determinados, como no nosso exemplo de Sedução, é importante que se crie uma Letra oposta, para no caso de obsessões a usar como antídoto.
2 - Projeção Caostral
Talvez essa aqui devesse ser a primeira parte, em todo o caso, acho que é interessante trabalhar com as duas partes simultaneamente para que se caso, num golpe de sorte ou capacidade magicka mesmo, você já conseguir se projetar logo de primeira, já vai fazer o que estamos propondo aqui.
Minha combinação para os exercícios de projeção são simples, mas foram efetivos para mim e justamente por isso que vou escalá-los aqui no meu programa, nesse ponto você pode fazer qualquer técnica sob qualquer paradigma que esteja familiarizado. Algumas sugestões que eu posso dar sobre técnicas além das que eu postarei aqui, são as técnicas de Asana, Dharana, Pranayama e etc descritas no Livro Quatro de Crowley, ou uma combinação de exercícios do Liber MMM - Imobilidade - Respiração - Não-Pensamento e Concentração na Imagem podem ser bem efetivas também (e mais simples). Quem gosta e se familiariza com as idéias e técnicas dadas pelo Wagner Borges (nenhuma funcionou comigo pelo que creio ser uma questão de crenças e paradigmas distintos) entre outros autores pode usá-las também. Quer experimentar alguma coisa nova e diferente, vá em frente, o sucesso é a nossa prova. Para Sonhos Lúcidos eu sugiro os livros de Stephen Laberge e um livro baratinho, mas muito bom de Dream Yoga sob o nome de: Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono de Tenzin Wangyal Rinpoche. Também durante esse período é importante lermos a respeito de Projeção Astral, nem que seja um artigo pequeno, ou um livro qualquer que ainda não lemos, ou relatos sobre projeções realizadas por outra pessoa para mantermos o foco e mover dessa forma o intento.

Técnica do Corpo Sonhador (ou Corpo de Luz, se preferir)
É uma visualização em si de nosso corpo sonhador, que podemos fazer em qualquer momento do dia, ou antes de dormir, reserve alguns minutos para essa técnica de visualização.
Esvazie a mente focando-se em sua respiração até acalmá-la o suficiente para iniciar a visualização. Veja você mesmo parado diante de você, assim que conseguir se visualizar perfeitamente você define essa imagem como seu corpo astral. Então comece a projeção transferindo seu ponto de vista nele para que você veja com os olhos dele, ouça com os ouvidos dele, sinta seus pés como dele, sinta-se transferindo toda a sua consciência, percepções, sensações, whatever para esse você que está a sua frente, até que você e ele sejam um. Quando estiver nesse corpo olhe ao redor, observe os objetos do seu quarto ou do lugar onde estiver, lembrando que essa visão deve ser análoga a visão do astral, ao invés de sua natureza física. Quando terminar retorne para o seu corpo.

Técnica da La Gorda
Essa é uma técnica que eu retirei de um dos livros de Castañeda, não estou muito certa de qual deles agora, mas creio que a personagem La Gorda conta essa técnica para Castañeda no livro "O Poder do Silêncio", precisaria conferir, mas estou com pressa nesse momento. Dentro do paradigma de Castañeda, o poder da mulher reside em seu ventre e se não me falha a memória ele também se refere ao ponto três dedos abaixo do umbigo como sendo o ponto da vontade e intento. Porém, nos seus livros ele descreve que a prática da Arte do Sonhar para os homens é dirigindo a sua respiração para o esterno, "a boca do estômago" e para as mulheres por causa do útero e todo o poder que reside nele,o ponto três dedos abaixo do umbigo, no Hara, se facilitar. Porém, estava conversando com um amigo ontem e concordávamos a respeito de vários paradigmas que dizem que esse ponto é um ponto de poder de Kia, Chi, <insira qualquer outro nome que desejar aqui> e partindo do paradigma do Chi Kung todos nós armazenamos Chi nessa região, creio que a técnica de La Gorda não sirva apenas para as mulheres como mostra o paradigma de Castañeda, mas também para os homens. Como eu sou mulher não sei falar muito a respeito da eficácia para os homens, mas tive sucesso com essa prática e vou postar aqui um relato da primeira experiência de sucesso que eu tive com ela.
A prática em si é muito simples, é necessário que se sente ou deite confortavelmente, ficando totalmente imóvel. Então, permita que sua respiração fique lenta e profunda e a direcione para a região localizada três dedos abaixo do umbigo. Mas, como assim direcionar minha respiração para essa parte do meu corpo?
Você pode nas primeiras práticas colocar algum peso sobre essa região, pode ser uma pedra pesada, um saco com alguma coisa dentro, alguma coisa que faça sentir essa região de modo que sua consciência e concentração esteja totalmente focada nessa parte do seu corpo. Você vai inspirar visualizando que o ar está se acumulando nessa região, ao invés de ir para os seus pulmões, para facilitar você pode visualizar que o ar entra carregando uma iluminação branca ou da sua cor octarina, concentrado essa luz nesse ponto. Não precisa se preocupar com essas visualizações porque o mais necessário da prática é dirigir a sua respiração para esse ponto e usar dessas parafernálias e visualizações só até o momento que se familiarizar com o exercício. Particularmente eu usei uma caixinha de metal cheia de pedras pra ficar pesada durante dois dias, depois disso não precisei mais porque já sabia para onde eu tinha que dirigir minha consciência.
Porém, para esse exercício é necessário uma carga horária mínima de 30 minutos, eu particularmente fazia cerca de uma hora por dia.

Centralização e Banimentos
É imprescindível que façamos exercícios de centralização e banimentos. Isso evitará obsessões e nos manterá equilibrados.

Banimentos
Dois banimentos por dia é o mínimo, mas normalmente é interessante fazer banimentos antes e depois da Técnica de La Gorda e também fazer o banimento quando estiver em sua cama indo dormir, você pode fazer ao mesmo no astral deitado em sua cama, mas não deixe de dormir sem banimento. Se ocorrer projeção astral e/ou sonho lúcido, ao acordar também se lembre de fazer prontamente um banimento.

Centralização
Há milhares de exercícios que podem nos deixar centrados, mas como o nosso foco aqui é realizar a projeção astral, eu recomendo fazer o exercício de ativação dos pontos energéticos do corpo, esses pontos energéticos como já deve saber são comumente conhecidos como chacras. Exercícios de ativação dos pontos energéticos normalmente consistem em visualizações onde os iluminamos com suas respectivas cores, fazemos mantras e respiramos concentrando-nos neles. Um exercício básico é visualizar a cor do respectivo chacra vibrando o bija-mantra dele. Se sentir suficientemente seguro, você mesmo pode criar o seu exercício de ativação dos chacras. Particularmente eu gosto às vezes de usar um exercício de ativação dos pontos energéticos vibrando runas neles, a melhor runa para energização do chacra nesse caso é a Sowilo, você pode visualizar uma luz dourada iluminando seus pontos energéticos e o Stave da Runa, sua forma desenhada, sobre ele, vibrando o Galdr da Runa que tanto pode ser seu nome "Sowilo" como "SSSSSSSSSSSS" fazendo um chiado com a boca ao soprar a letra S.

Resumidamente o programa fica assim:
1 - Introspecção para definir o espírito.
2- Criação de sigilo e mantra
3- Carregar o sigilo.
4 - Produzir a Letra Sagrada por desenho automático.
5- Confirmar a Letra Sagrada usando métodos de divinação.
6 - Meditar sobre a Letra Sagrada de modo que fique bastante familiarizado com ela.
7 - Realizar os exercícios que te auxiliarão a obter a projeção astral: Banimento, Centralização, Técnica do Corpo Sonhador e Técnica da La Gorda. Combinar exercícios para Sonhos Lúcidos, se desejar. Ler sobre projeção astral num mínimo de uns 10 minutos por dia ou deixar algum livro sobre o assunto sobre sua cama para te lembrar que isso existe quando for dormir.
8 - O sucesso é a sua prova.

Bibliografia Inspiradora
Stealing the Fire of Heaven - Stephen Mace
Taking Power - Stephen Mace
Livro Quatro - Aleister Crowley
Liber III Vel Jugorum - Aleister Crowley
Carlos Castañeda - Todas as obras
Liber MMM - Peter Carroll
LiberNull - Peter Carroll
Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono - Tenzin Wangyal Rinpoche
Exploring the World of Lucid Dreaming - Stephen Laberge
Sonhos Lúcidos - Stephen Laberge
E mais uma porção que não me lembro agora, mas que flui do meu inconsciente.



Relato do primeiro resultado com a Técnica La Gorda.
Meditação 24/02/2010 (essa foi linda)
Hora: 4:35 – 5:38

Ao contrário dos dias anteriores em que eu usei a posição de lótus, nessa eu me deitei com a barriga voltada para cima. Como estou me voltando à arte do sonhar, coloquei toda a minha concentração em meu ventre, então observava minha respiração e focava minha atenção no local três dedos abaixo do umbigo como das outras vezes. Dentro do que eu julgo ter sido a primeira meia hora (embora nesses momentos de luta com a mente a meditação parece durar uma eternidade), não me lembro de mais nada do que eu pensava, mas sei que me deixava ir com meus pensamentos. Nessa altura eu senti que estava afogando e dei uma quebrada na imobilidade, engoli saliva e limpei a garganta e isso por incrível que pareça, fez o meu corpo relaxar.

Entrei naquele ponto de não-pensamento que eu chamo de “negrume”, é um estado que eu só consigo em meditação, é como dormir, a sensação é realmente de estar dormindo, mas há algo que te deixa alerta, lembra um pouco daquele estagio sono-vigília. Então, dentro desse negrume-meditativo, surgiu um tipo de pensamento bem esquisito, que não me lembro e despertei com nada mais, nada menos, meu corpo sonhador (\o/). A sensação que eu tinha com meu corpo sonhador era que minha cabeça estava pendendo sobre o pescoço (como se estivesse sentada, mas estava deitada). Tomei consciência linda e disse pra mim mesma: “Estou na segunda atenção” (com essas exatas palavras *.*). Eu estava totalmente desperta e lúcida em meu corpo sonhador e eu sabia que aquilo podia não durar por muito tempo, eu tinha urgência, lembrei então nesse momento que a La Gorda do Castañeda diz que a mulher sai da região do seu ventre para sonhar e pensei em respirar movendo o prana praquela região para eu sair para o Sonhar. Senti fortes espasmos no meu corpo todo (ou o que eu entendia como corpo) e uma pressão muito forte naquela região onde eu direcionei a respiração, a pressão era tão forte que a sensação que eu tinha era de dor.

Cara, incrível, eu me vi como algo pequeno, um foco de consciência, uma bolinha, sei lá o que poderia ser isso, eu me via percorrendo junto com minha respiração indo para a região do ventre. Vi de um modo que não sei explicar todo o caminho pelo meu corpo, não como uma câmera filmando meus órgãos e coisa do tipo, mas como se eu estivesse me movendo dentro de mim num tipo de nada (não tem nada, não tem nada – gritaria a Kat), era meu corpo, mas meu corpo não era algo, o que eu percorria era como um corredor de ar. Quando cheguei à altura do meu umbigo (um pouco abaixo) a dor aumentou.

Senti que estava perdendo a lucidez, caí logo após no negrume-meditativo novamente, então eu ouvi algo vindo dos recônditos do meu ser que dizia pra eu respirar, concentrei prontamente a respiração no ventre novamente, minha consciência estava lá, novamente os espasmos por todo o corpo e então meu corpo sonhador saiu (cara, foi um parto). Dei-me num espaço negro, mas não totalmente negro, era como o céu noturno na verdade, diante de mim havia uma névoa densa de nuvens cinzentas. Eu observava a névoa atentamente, sentia que tinha de atravessá-la, mas eu sabia que não ia manter aquele estado por muito tempo, por isso deixei-me sentir a paz que aquele lugar exalava, era um tipo de silêncio envolvente. Perdi a lucidez, senti todo o meu corpo normal bem desperta na primeira atenção, sem pensamentos, mas não dentro do negrume-meditativo, uma mente a ponto de querer pensar (muito). Intencionei então voltar para o negrume e lá caí e fiquei. Depois despertei de verdade com o despertador tocando.

Lindo, lindo. Quis compartilhar com vocês porque é a primeira vez que eu uso um método exclusivo Castañeda e o resultado foi positivo, saí em projeção pela região umbilical.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Enchendo Lingüiça

Eu gosto dos dias que amanhecem cinzas e escuros, com aquela aparência típica de que vai chover e esfriar. Dias assim me lembram momentos em que embora muitas vezes eu estivesse sentindo coisas as quais eu julgo negativas, ao mesmo tempo eu as aceitava como algo muito comum e com prazer e amor. Essa aceitação é como se fosse um gesto puro de auto-amor, onde medo, dor e prazer foram vencidos. Castañeda talvez chamasse esse estado de “não-piedade”, enquanto outros falariam “não-afeição”. Mas, não piedade e não afeição anulam uma a outra. E dizer tudo isso acima, significa que eu estou numa brisa louca de Spare ainda, cara.

Às vezes me sinto como se eu fosse algum tipo consciente da continuação de Spare, pela certeza com que concebo que entendo exatamente o que ele quer dizer porque eu mesma já vivi a mesma experiência, mas todo esse processo é muito intuitivo e místico na verdade. É a simbiose. O processo de identificação. Mas a simbiose seria um modo de continuação e preservação de uma espécie “mutante”? Nesses momentos penso se não foi Spare minha semente. E como no processo do girassol, eu tornar a ser a semente de alguém. Esse também não poderia ser um contexto para o Daemon?

E isso é divino. A beleza é de uma natureza divina e talvez feminina. Porque é a beleza o portal da entrega. Sempre nos entregamos completamente ao que é bonito. E a beleza é o universo tocado pela musica clássica em sua divina plenitude. E o universo em sua própria realeza altamente indefinida, terrivelmente confusa. Confusão é a matéria prima. Mas, então isso se torna à pura beleza fluindo por todo o espaço como uma enchente divina. E é tão prazerosamente belo, que se sente afogado e ao mesmo tempo entregue a uma sensação a qual não sabe como descrever. Essa é a profundidade a qual gostamos chamar de profundidade por um senso poético. É como se por um momento você simplesmente pudesse sentir exatamente aquilo que o compositor sentiu quando estava criando aquela musica. É a pura onda da vida. E então a simbiose novamente acontece e já estou transmutada. Sou então de uma raça mutante, infinitamente indefinida.

E o dia está tão cinza que faz com que a musica soe triste. E ao mesmo tempo é infinitamente belo, tão belo que só pode ser visto pelo coração. Toda a sua percepção vai instantaneamente para a região do cardíaco. E eu gosto de manhãs cinzas, com arvores espalhadas parcamente pelas ruas cinzas e asfaltadas, com os pombos que voam de casa em casa. É como se algo profundamente comovido e altamente extasiado dissesse que esse é exatamente o seu momento, é exatamente isso o que você está fazendo e apenas isso, mas tal como concebe, é toda a eternidade.

E saber disso é tão desesperador, como altamente libertador. Mas, se notarmos ambas as palavras usadas: “desesperador” e “libertador” terminam com “dor” - ou ainda: "desespera a dor" e "liberta da dor". Condicionamos então a idéia da morte a dor, e será exatamente isso que iremos sentir toda vez que tivermos que ascender para outro nível de percepção, é doloroso convencer-se da verdade, mas é apenas um processo, um pequeno processo de disciplinada repetição. E às vezes é tão terrivelmente solitário estar aqui em cima, nesse nível de consciência, que muitas vezes preferimos e nos acomodamos com a esfera mais comum. A nossa realidade consensual.

E o que eu acho mais divertido e irônico nisso tudo, é que sinto um enorme prazer em tentar racionalizar isso, sinto como se eu estivesse fazendo algo de grandioso. Como se eu ainda estivesse tão apegada a minha vida de “ser” condicionado, que eu quisesse na verdade simplesmente ser o psicopompo da minha própria consciência. De modo a manter em todos os lugares meus pequenos apegos, que certamente se tornarão uma condição. E tudo o que se torna uma condição, condiciona. Gira, tem o mesmo resultado. E sem todos esses condicionamentos, como será que conseguiríamos conviver? Não estaria eu com muito medo de ficar por muito tempo sozinha num lugar que todos ainda estão com medo de ficar? Mas, também isso não abriria o caminho para outros encorajados pelos primeiros, não pudessem também se chegar? E eu também tenho a palavra do Aeon, eu também tenho as chaves de todos os outros aeons possíveis. Porque ao amar a beleza com tal auto-amor, eu não estaria também imprimindo uma forte função no universo, ao qual os outros também não tentariam se adaptar? É sempre a velha história do ambiente hostil.

E os vírus da beleza se espalham pelas notas e acordes da musica clássica e todo aquele que se prontifica a se entregar por um momento naquela musica, vive a simbiose automaticamente com ela, e várias coisas podem ser vistas ao mesmo tempo, mas pelo excesso de informação, não paramos para descrever e então reconhecemo-nos como iguais aquilo, num nível muito profundo. É como uma suave dança magicka. E eu não entendo porque muitas vezes eu sinto o belo como triste. Seria minha natureza mais voltada a tristeza que vê nela a beleza? E se é exatamente isso. Por que então deveria estar acontecendo algo de errado comigo? Porque não há, na verdade, nada de errado. Eu sou a pura expressão da perfeição em mim mesma. A dança clássica dos deuses!

E Baphomet simplesmente faz a dança dos bracinhos, sempre um pra cima e outro pra baixo. Sempre menina e sempre velha, sendo tão somente no momento eterno presente a mulher. E é Daleth que brilha acima de minha cabeça, não Gimel, como muitos queriam, inclusive eu. Porque assim como aprendi a dançar, eu também aprendi a mover. E então você imagina aquela quem um dia caiu na beleza de uma mesma forma. E isso é obsessivo de minha parte! Porque na verdade o mundo é tão destituído de sentido, que é mais prazeroso pensar como queremos descrever que nossas vidas sejam.

E alguém já te condicionou da mesma forma antes. Então, você tem de ir aos poucos dando espaço para sair do condicionamento. Mas, esse ato é em si uma nova condição. E ao mesmo tempo que parece doloroso pela questão do profundo desejo de liberdade, é definitivamente doloroso. Todas aquelas crenças que você gostou, todas aquelas crenças que você se apegou, por pior que fossem, é o que te faz também desejar ficar. É por isso que os budistas insistentemente diziam para procurarmos o caminho do meio. Não-afeição = Desapego. Estar em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. Spare chamaria isso de crença livre, talvez.

Mas tem coisas que você gosta tanto e tanto, que sacrifica a cada dia a sua liberdade por causa dela. É como são os casos de amor ultimamente. Não é o amor fluindo pela beleza na suave musica do universo, mas sim um apego obsessivo ao qual não conseguimos nos soltar. E assim amo também minha dor, meu medo, minhas inseguranças, minha materialidade, meu corpo, meus parentes, meus amigos e assim por diante. Mas isso não é amor, isso é apego. E esse apego é o que me faz viver uma anorexia amorosa de forma ambientalmente social. Seja como for, eu estou em permanente conflito com a sociedade e uma das duas forças uma hora terá de se modificar, para mais ou para menos, e então, não há mais conflito e eu não fico cansada.

E não se cansar significa acumulo de poder pessoal. Quanto mais descansados, mais poderosos. Quanto mais relaxado, mais benigno. Quanto mais profundamente relaxado, mais severo. Mas, estamos constantemente atentos ao medo e continuamente não nos entregamos. Ou será que isso soa como punição? E se sim, por que estaríamos nos punindo? Por que não nos permitir uma conexão direta com isso todo o tempo? Será que é só o puro instinto gregário que nos impede de dar o próximo passo? E por que gostamos tanto de estar perto, se não fosse pelo medo contínuo da nossa idéia de separação? E isso soa tão bonito, porque isso soa como real. Como se você estivesse fisicamente distante de mim, muito próximo a ela (a outra pessoa) e você souber com toda a sua profundidade, que está eternamente mais próximo de mim, do que dela, porque eu me tornei como uma pequena lâmpada que tua consciência acende sempre que se foca nela. E é quando por vias do amor eu mergulho no divino por meio de teu corpo, que nós entendemos porque desejamos tanto a simbiose no final das contas. Só pela simbiose é que podemos conceber a visão do amor pelo outro. E sermos profundamente confortados porque temos opções e isso gera o intenso prazer, o puro êxtase.

E por mais bonito que isso pode parecer para mim agora, eu alerto para o fato de que é puro enchimento de lingüiça durante uma longa brisa. Porque justamente agora eu estou saudando o amanhecer, dançando Bach com o Sol. E pensando no próximo prazer que eu irei me dar. Porque é aceitando o prazer que nós encontramos um tipo de sobriedade  para conviver com a eternidade e esse é o nosso direito. E que minhas palavras estejam tão cheias de beleza, como a visão que mantenho dentro de mim. Pois é sempre a beleza a dominar a força. E isso me lembra tanto Volúpia! E isso é tão belo como só a poesia poderia ser e tão feminino como só uma mulher pode se expressar. Mas, ainda não deixa de ser enchimento de lingüiça.  

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Atualizando e Fofocando

Estou aqui me preparando psicologicamente para ir ao dentista! Eu evoco o cramulhão, mas não evoco um dentista, cara... Embora meu dentista é tão enrolado que eu já estou perdendo até o medo dele. Todos os dias eu chego lá para obturar o maldito dente, ele abre a minha boca, olha e diz pra eu voltar outro dia. Acho que meu dentista deve ter um caso de amor com a minha cárie! Enfim...

Faz tempo que eu não escrevo no blog e ficar muito tempo sem escrever no blog não é algo muito legal de se fazer. E como eu não tenho nada para contar, porque minhas práticas magickas estão num nível pessoal muito medonho, vamos fazer fofocas!

Ellis Brasil está no momento num trabalho muito legal, embora poucos da comunidade estão participando que é um RPG Magicko, lindamente administrado pelo Mestre Andréas Noleto, de quem também partiu a idéia do jogo. O jogo consiste de uma mistura doida e prazerosa de Chaos Magick, Cabala e Os Invisíveis (sim, senhores do Grant Morrison). Cada jogador já tem mais ou menos a idéia do que fará com o seu personagem, algo que o Mestre deixou aberto e eu decidi transformar minha personagem numa entidade que depois poderá ser usada por qualquer um por aí. Estou usando além de sigilos, óbvio, criando também alguns links usando musicas, cheiros, etc. Não sei dizer se todos os jogadores estão com o intento de criar uma entidade doida (e todos os personagens são doidos pra caralho), mas provavelmente teremos bastante entidade doida para um panteão “feito em casa”. O paradigma é bem simples, cada vez que vamos jogar, acessamos nossa entidade semi-criada por meio dos nossos sigilos e jogamos, buscando vivenciar o jogo ao máximo num nível astral e ao final transferimos toda a experiência para o símbolo-sigilo da entidade. Claro que o resultado é imprevisível, já que os montamos a cada dia, a cada jogada, mas com certeza é uma forma de fazer magia prática e divertida.

Recebi também feed-back positivo a respeito de resultados das outras pessoas que carregaram a Teia da Prosperidade (Prosperity Web), povo que faz compra errado, depois consegue cancelar sem gastar um puto e depois comprar mais barato. Outras pessoas tendo resultados interessantes por meio de questões para auto-conhecimento com relação ao dinheiro. E eu mesma tendo vários insights doidos com o meu trabalho e um modo de melhorá-lo, que eu nunca havia pensado antes, depois que comecei a repetir a palavra Eleri como um mantra enquanto faço caminhadas de manhã. Ainda continuo ganhando muitos presentes. Uma coisa interessante que aconteceu a respeito de sorte com dinheiro, foi que eu tinha feito um orçamento com o meu dentista antes dele mudar o consultório dele para outro lugar. Ele tinha inicialmente constatado apenas duas cáries e outras coisinhas que eu tenho que fazer, como canal, que é mais caro, mas que estava lá no orçamento antigo. Então, eu paguei todo o tratamento à vista e quando foi agora, logo que se mudou para a clínica, ele acabou perdendo meu orçamento. Ele já tinha obturado uma cárie, então teoricamente faltava só uma, mas como perdeu o orçamento e teve que fazer outro por causa do novo lugar onde está atendendo ele descobriu mais três cáries, o que teoricamente eu teria que pagar mais três, porque a outra eu já paguei, mas ele me cobrou apenas duas a mais, porque achou que já tinha colocado isso no orçamento anterior.  Ganhei uma obturação!

E isso tem acontecido direto comigo desde que comecei a trabalhar com a teia, esses dias estava pensando em comprar maquiagem, então minha mãe me deu algumas de marcas boas, o que me fez economizar mais uma graninha. Pensei em comprar roupas, mas também acabei ganhando algumas. E ontem fui pedir uma merreca pro meu pai pra comprar uma caixinha de tictac, coisa de 1 real, e, ele me deu vinte reais. Sincronicidade ou não, o legal é que estou sendo bastante presenteada! Tudo bem, maior pobreza isso, mas de vinte em vinte, eu acabo tendo uma boa economia mensal, sem tirar as maquiagens que são normalmente caras! Eu saio linda, ruiva e maquiada, sobrando uma grana pra pagar a cervejinha ainda!


E é isso, só para atualizar mesmo!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...